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Formado pelo violonista Fábio Nin e pelo bandolinista Paulo Sá, o Alcantilado convida quatro expoentes da música instrumental brasileira para homenagear o grande mestre do choro Jacob do Bandolim (1918-1969), mostrando o quanto a sua obra é universal: o trompetista Silvério Pontes (25 de fevereiro), o gaitista Gabriel Grossi (26 de fevereiro), o pianista Vitor Gonçalves (27 de fevereiro) e o violinista Nicolas Krassik (28 de fevereiro). Contando também com o percussista Beto Cazes em todas as apresentações, a série será realizada nestas noites, de quinta a domingo, às 19h, no Centro Cultural dos Correios, com ingressos a R$ 10 e meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos.


Em 2009, completaram-se 40 anos sem o mestre dos saraus e 30 anos da morte do seu filho, o compositor e jornalista Sérgio Bittencourt (1941-1979). Sérgio ganhou notoriedade ao compor o samba-canção “Naquela mesa”, escrito no calor da saudade do pai e sucesso nas vozes de cantores como Elizeth Cardoso e Nelson Gonçalves. A série ‘Jacob do Bandolim – Naquela mesa em tempos modernos’ vai revisitar o ambiente musical de um de nossos compositores mais férteis, com arranjos e instrumentação contemporâneos. “Qualquer instrumento soa muito bem no repertório de Jacob”, diz Fábio. “E essa qualidade musical extraordinária já é meio caminho andado para os nossos arranjos”, arremata Paulo, que está lançando nos Estados Unidos o álbum solo autoral ‘Coisas brasileiras’ e faz parte da Camerata Brasil.

O violonista e o bandolinista se conheceram em 1993, como integrantes da premiada Orquestra de Cordas Brasileiras, e, no ano passado, elaboraram este projeto movidos pela admiração pela obra do bandolinista. “Além de lembrar a data redonda da morte do Jacob, os shows pretendem trazer uma sonoridade menos convencional para o choro, incluindo violino, gaita, piano e trompete no duo de cordas tradicional”, pontua Fábio, conhecido pelo trabalho com o quinteto Tira Poeira e vencedor do prêmio Shell de Teatro pela direção musical do espetáculo ‘É samba na veia, é Candeia’ sobra a vida do compositor portelense.

Uma colaboração com o Instituto Jacob do Bandolim propiciou a feitura de videografismos com imagens raras do músico e do regional de choro Época de Ouro, fundado pelo mestre em 1964 e ainda em atividade. A escolha do local também condiz com a história do gênero musical. Nas primeiras décadas do século XX, a maioria dos músicos de choro trabalhava no funcionalismo público, muitos deles nos Correios. Aliás, o primeiro livro que retrata alguns desses personagens foi escrito pelo carteiro Alexandre Gonçalves, mais conhecido como ‘O Animal’.

Produzida pela Baluarte Agência, com direção musical de Fábio Nin e Paulo Sá e assessoria de imprensa minha, a série conta com patrocínio dos Correios e do Governo Federal e também será uma espécie de lançamento oficial do Alcantilado. O duo se apresenta pela primeira vez no cenário carioca após estrear em São Paulo, Minas Gerais e Petrópolis. Além de obras-primas de Jacob, como os choros “Cabuloso”, “A ginga do mané” e “Implicante”, a primeira parte dos shows será com músicas que compõem o repertório da dupla, entre elas “Karatê” (Egberto Gismonti), “Samambaia” (César Camargo Mariano) e “Inquietação” (Ary Barroso). Abrindo o roteiro, o clássico “Naquela mesa”, de Sérgio Bittencourt.

* Foto de Paula Monte *

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Monica Ramalho

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