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O cavaquinista João Callado e o cantor e violonista Fernando Temporão, ambos ótimos compositores, arremessam nas lojas o álbum “Primeira nota” (Biscoito Fino). O show de lançamento será em 9 de outubro, no Teatro Rival Petrobras, Centro do Rio, com a participação dos seis cantores que gravaram, nesse discaço, as parcerias dos rapazes. Foi o Fernando quem escreveu o release, publicado a seguir:

No texto escrito para a contracapa do clássico “Canção do amor demais”, de Elizeth Cardoso, Vinicius de Moraes falava sobre sua parceria com Antonio Carlos Jobim e sobre o nascimento das canções que compunham o LP de 1958. Num determinado trecho de seu depoimento, Vinicius dizia “É possível mesmo que tudo isso se deva ao fato de que ele crê na poesia da música e eu creio na música da poesia”. Mais adiante, diz que com aquele disco eles não desejavam provar nada “senão mostrar uma etapa do nosso caminho de amigos e parceiros no divertidíssimo labor de fazer sambas e canções (…) e dar alimento aos que gostam de cantar, que é coisa que ajuda a viver”.

Eu não poderia me privar de citar o texto de Vinicius por todo seu efeito tradutor, mas agora na contracapa de um disco que é fruto da parceria entre outros dois amigos: João Callado e este que vos escreve, Fernando Temporão.

A despeito do fato de que os autores deste disco são músicos (João é cavaquinhista e arranjador, eu sou cantor e violonista), “Primeira Nota” é, em sua essência, um disco de dois compositores. São justamente letra e melodia os protagonistas do álbum. Foram doze canções feitas num período de cerca de dois anos, até que decidíssemos registrá-las da forma que mereciam. E cada canção sugeria um arranjo, evocava um cantor ou cantora, buscava um caminho próprio. Decidimos deixar metade das 12 músicas na minha voz e convidar seis intérpretes para as outras canções. Áurea Martins, Marcos Sacramento, Monica Salmaso, Moyseis Marques, Soraya Ravenle e Teresa Cristina foram convidados e, sorte nossa, todos aceitaram o convite. Não houve mudança de planos, portanto. Cantaram no disco exatamente os seis cantores e cantoras que inicialmente gostaríamos de ter chamado, dadas as características de cada faixa.

O resultado é um presente que guardamos com muito carinho e um orgulho danado, um livreto sonoro de poesias minhas e lindíssimas melodias do João, que não poderiam ter encontrado melhor destino (senão na voz de um dos seus compositores, e de intérpretes tão especiais).

Uma parceria musical é coisa séria, como uma árvore antiga que de tempos em tempos gera seus frutos. Espero que essa seja a primeira de muitas e muitas notas produzidas nessa parceria, e que ninguém duvide do incessante poder de renovação da música popular brasileira!

Por Fernando Temporão

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Monica Ramalho

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