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sargento laranjaA editora Olho do Tempo, a livraria Folha Seca e o sebo Al Farabi convidam para o lançamento do livro “Nelson Sargento, o samba da mais alta patente”, dos pesquisadores André Diniz e Diogo Cunha. A capa deste que é o único perfil biográfico do sambista, escritor e artista plástico traz a leveza do traço de Cássio Loredano.

A tarde de autógrafos será no sábado, 20 de junho, às 14h, numa roda de samba com Chico Alves (voz), Bruno Barreto (pandeiro e voz), Marcio Hulk (cavaquinho), Fernando Brandão (violão), Felipe Tauil (percussão) e Daniel Karin (percussão). Pelos menos duas participações especiais estão garantidas: do Agenor de Oliveira, cantor e sócio da Olho do Tempo, e do homenageado. Sargento vai assinar o perfil ao lado dos autores no Al Farabi, onde o livro será vendido por R$ 20.

Aos 90 anos, Nelson Sargento está num ano comemorativo. Faz exatamente 60 anos que viu a Mangueira cruzar a Avenida, pela primeira vez, com um samba de sua autoria, “Cântico à Natureza” (parceria com o padrasto Alfredo Português e o amigo Jamelão) e completam 50 anos do legendário show “Rosa de Ouro”, no qual atuou ao lado de Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Elton Medeiros e outros bambas de igual quilate.

É o jornalista Álvaro Costa e Silva quem vai apresentar “Nelson Sargento, o samba da mais alta patente” para você:

“Samba é memória. O sambista, mesmo que tenha 14 anos, tem saudade do passado, que às vezes nem viveu, e é por isso que compõe. Pode ser um passado de glórias, um passado de lutas, um passado de amores, um passado fingido no qual ele acredita. O negócio é lembrar e fazer samba.

A memória de Nelson Sargento, aos 90 anos, é daquelas que se diz: prodigiosa. Recorda que, de tamborim na mão, calça e tênis brancos, camisa azul de jérsei e cartolinha de feltro, descia, moleque franzino, as ladeiras do Morro do Salgueiro, para brincar o Carnaval na Rua Dona Zulmira – território nelsonrodrigueano por excelência onde corriam soltas as batalhas de confete, em meio às fantasias de colombina, pierrô, arlequim e outras vestes e cores das perdidas ilusões.

Lembra que, aos 11 anos, chegou em Mangueira para viver com a mãe ao lado do fadista (depois sambista) Alfredo Português, em cujo barraco havia animadas reuniões regadas com carne moqueada e cerveja casco escuro, da qual participavam Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Aloísio Dias (com quem aprendeu a tocar violão).

Ali afinou não só o instrumento como também um extraordinário ouvido musical. Ele era o “gravador” da turma, permitindo que muitos sambas daquela época pioneira não caíssem no esquecimento. Só de Cartola, “salvou” três aos quais acrescentou uma segunda parte: “Deixa”, “Ciúme doentio” e “Vim lhe pedir”.

Este livro de André Diniz e Diogo Cunha é o relato de uma lembrança preciosa que se confunde com a vida e a arte de Nelson Mattos, Sargento apenas no apelido. O compositor de samba-enredo, autor em 1955 de “Cântico à natureza”, considerado um dos maiores de todos os tempos na Estação Primeira. O show “Rosa de Ouro” em 1965, semente da formação dos grupos A Voz do Morro e Os Cinco Crioulos.

O ofício de pintor de paredes – viração nos apartamentos elegantes da Zona Sul carioca, com tinta branca, espátulas e rolos de lã – que abriu caminho para a carreira do artista primitivo, quadros a óleo que retratam paisagens de favela e figuras carnavalescas.

Não à toa, o título de um de seus melhores discos individuais, “Encanto da paisagem”, de 1986, remete às atividades pictóricas. Nele está talvez sua mais conhecida música, “Agoniza, mas não morre”, que virou hino dos amantes do samba tradicional.

Nem por isso ele deixa de ser ousado: “Idioma esquisito” é o primeiro e único partido alto joyceano de que se tem notícia, composto quase inteiramente por palavras proparoxítonas inventadas: estrambonático, palipopético, cilalenítico, presolopépipo, atroverático.

Ainda trabalhou como ator em filmes de Cacá Diegues e Walter Salles. É também um frasista de mão cheia: “O maior inimigo do pobre é o outro pobre”. Está tudo contado neste livro-perfil “memorioso”.

Só peço licença aos autores para acrescentar mais uma faceta artística, pouco divulgada, de nosso personagem: Nelson Sargento é um vibrante escritor de contos eróticos sem tons de cinza.

Aproveito e deixo aqui o abraço apertado do subalterno hierárquico,

Alvaro Marechal”

“Nelson Sargento, o samba da mais alta patente”, serviço

Tarde de autógrafos e roda de samba com a presença do homenageado Nelson Sargento e dos autores André Diniz e Diogo Cunha
QUANDO: 20 de junho, a partir das 14h
ONDE: Al Farabi – Rua do Rosário, 30, no Centro do Rio. Informações sobre o funcionamento da casa, pelo telefone (21) 2233.0879
QUANTO: O evento é grátis. O livro custa R$ 20 (vinte reais)

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Monica Ramalho

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