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Vêm aí o segundo espetáculo gerido dentro do projeto de Residência de Montagem de Espetáculo, realizado na Cia. Up Leon. Desta vez, o Anima Circ mostrará as suas habilidades no “Metaesquema”, livremente inspirado nas obras de Hélio Oiticica (1937-1980). A montagem se adianta às comemorações dos 80 anos de nascimento do pintor, escultor e artista plástico, e dos 50 anos da Tropicália, a serem completados em 2017. Hélio é autor do penetrável Tropicália, que batizou o movimento artístico do qual ele foi um dos criadores. Toda essa herança cultural ganhará releitura circense no “Metaesquema”, que será apresentado nos dias 6 e 7 de agosto, sábado e domingo, às 19h, na Arena Carioca Dicró, na Penha, com entrada gratuita.

Foto Micael Bergamaschi“O espetáculo é todo baseado na arte do Hélio Oiticica e a temática de fundo é a Tropicália. Temos muita cor nos figurinos e nos adereços. Hélio fazia de tudo para que o visitante travasse uma experiência sensorial com as suas criações e trouxemos isso para o ‘Metaesquema’. Há um momento em que o público participa da cena puxando uma corda que faz com que a acrobata gire com muita graça, feito um pião. Também nos preocupamos em criar essa interação sem a plateia pagar mico. Tudo é feito muito naturalmente, da própria cadeira, e dá um efeito bonito e divertido na cena”, explica o diretor artístico convidado e profissional de circo Gabriel Jacques.

Gabriel está sendo um importante parceiro nessa etapa da Up Leon, há 25 anos em atividade e escolhida em 2015 para ser um dos quatro Polos Cariocas de Circo, iniciativa da Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura a fim de fomentar a arte circense na cidade. Segundo ele, o cenário de “Metaesquema” reproduz seis obras de Hélio Oiticica, entre elas um parangolé, dois penetráveis e uma caixa amarela. Entre os dez números de circo apresentados, estão canastilhas, corda acrobática, lira, báscula e trapézio, por exemplo. É uma alegria para os olhos, assim como a obra do artista.

Para a Anima Circ, a estreia é um marco. “Já fizemos dois espetáculos amadores e este é o primeiro profissional, com equipe, trilha sonora e tudo bonitinho”, comemora Jonathan Rodrigues, o capitão desta nau, formada por 13 jovens de 18 a 31 anos, advindos da ONG Ação Comunitária de Apoio Psicossocial (Acaps – Dirce Galvão), um projeto que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na Favela do Aço, em Santa Cruz. Jonathan tem 29 anos e se dedica a cuidar dessa garotada. Disse que viu muitos talentos deixarem o circo por falta de verba. “As famílias reclamavam e eles saíam para procurar emprego. É uma felicidade fazer parte do Polo Carioca de Circo e, ainda mais, com a Up Leon, que conheço há anos porque a minha irmã já foi acrobata da companhia”, recorda.

“A oportunidade de trabalhar com uma companhia jovem com tanta vontade de fazer bonito está sendo uma experiência enriquecedora para a nossa equipe. O desafio de trazer o universo do Hélio Oiticica para o picadeiro nos ajudou a perceber o quanto as artes brasileiras se misturam o tempo todo. Isso sem falar na importância de relembrar o valor de um artista que deixou a sua marca bem impressa no mundo”, comenta Olga Dalsenter, diretora da Cia. Up Leon.

A Arena Dicró fica no Parque Ary Barroso, na Penha.

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Monica Ramalho

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