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“Isca – volume 1” é o primeiro disco autoral da banda Isca de Polícia após a partida do seu criador, Itamar Assumpção (1949-2003). Faz cerca de quatro anos que pintou a vontade de gravar e, aos poucos, eles fisgaram parceiros antigos e novos, admiradores confessos e amigos, muitos amigos. Esses encontros renderam dois álbuns de inéditas. O primeiro será lançado nos dias 15 e 16 de abril, sábado às 21h e domingo às 19h, no Sesc Pompeia, em São Paulo; o segundo virá no próximo semestre.

Foto de Gal Oppido

Foto de Gal Oppido

Na seleção que você tem em mãos, há letras e músicas de Arrigo Barnabé (“Meus erros”), Alice Ruiz (“Eu é uma coisa”), Carlos Rennó (“Atração pelo diabo”), Ortinho (“As chuteiras do Itamar”) e Vange Milliet (“Corpo fechado”), entre outros. A maioria ganhou o brilho da parceria com a Isca e duas são homenagens – “Arisca” (Péricles Cavalcanti) e “Itamargou” (Tom Zé). Uma vez em estúdio, três coautores registraram pequenas colaborações: Arnaldo Antunes reforçou os vocais de “Xis” (ele também é parceiro de “Dentro fora”, a primeira a ganhar clipe), Zeca Baleiro fez uma intervenção na sua “É o que temos, é o melhor” e um trecho da gravação crua de Tom Zé, voz e violão, entra como música incidental em “Itamargou”.

Em cena desde 1980, foram muitas as formações da banda sonhada por Itamar, exigente até o último dread com a qualidade do seu som. Uma coisa era certa: Paulo Lepetit abraçaria o baixo em gravações e shows importantes. Lepetit, atual diretor musical da Isca, passou a organizar esse cardume em 2004: Jean Trad (guitarra) é o único que estava na primeira formação da banda e no primeiro disco do Itamar; Suzana Salles (voz) e Luiz Chagas (guitarra), dos primórdios, circularam pela banda em diferentes fases; Vange Milliet (voz) entrou na pesca um tanto à frente e nunca mais saiu e Marco da Costa (bateria), em algum momento, assumiu as baquetas no lugar da lenda Gigante Brazil (1952-2008).

Todos realizam trabalhos próprios, mas essa sonoridade específica só acontece quando a Isca de Polícia está reunida. Eles criaram uma linguagem musical com identidade marcante, que vem surpreendendo público e crítica e está em continua em evolução. “Assim que Itamar se foi, eu e Suzana ficamos apreensivas quando nos chamaram para interpretar seus clássicos. Ao longo do processo, desenvolvemos um jeito de cantar juntas, timbrar as vozes e dividir o espaço cênico, que se incorporou à essência da Isca”, explica Vange.

Itamar e a sua sonoridade seguem atemporais. Tanto que houve um redescobrimento da sua obra após a sua morte. A Isca de Polícia voltou a ser convidada para diversas homenagens pelo Brasil e, em 2010, esteve diretamente envolvida na “Caixa Preta”, lançada pelo Selo Sesc, com toda a discografia de Itamar e mais dois álbuns de inéditas com convidados – Paulinho fez a produção de uma das bolachas. A banda viu o seu público crescer e o seu potencial de ir além.

“Foi uma mistura de fatores: os lançamentos da “Caixa” e do documentário ‘Daquele instante em diante’, em 2011, com alguns projetos em homenagem a Itamar pelo Brasil, e também o sucesso de Anelis Assumpção, Tulipa Ruiz, Dani Black e Leo Cavalcanti, filhos da Vanguarda Paulista, e de outros jovens que beberam na nossa fonte, como Kiko Dinucci, Iará Rennó e Andreia Dias. Tudo isso junto despertou a curiosidade dessa molecada pelas origens. E Itamar e Isca estão lá”, pondera Lepetit.

A Isca de Polícia está aqui, hoje, com os genes de Itamar Assumpção bem preservados no seu corpo musical, mas produzindo um novo ciclo. Autoral e de vanguarda, prezadíssimos ouvintes.

O endereço do Sesc Pompeia é Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo. Ingressos a R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia entrada para maiores de 60 anos, estudantes e professores da rede pública) e R$ 9 (comerciários e funcionários da rede Sesc e seus dependentes). A censura é de 12 anos.

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Monica Ramalho

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