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Na quarta, dia 17 de maio, às 21h, o violonista, guitarrista, compositor e arranjador Daniel Oliva vai levar o repertório do seu álbum de estreia, “Solar” (independente), à casa Tupi or not Tupi, recém-inaugurada na Vila Madalena. O disco aproxima as duas linguagens que, desde a infância, fazem parte do universo sonoro do artista: as canções e a música instrumental. Ingressos a R$ 35.

Nesta noite, Oliva estará acompanhado por Pepe Cisneros (piano e teclado), Sidiel Vieira (contrabaixo), Vitor Cabral (bateria) e Luciana Alves (voz), a mesma equipe que gravou a bolacha, recheada com onze faixas, dez delas autorais. “Busquei sempre construir melodias cantáveis”, diz.

Foto de Gal Oppido

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O trabalho se destaca pela unidade e força narrativa que o músico imprime em cada composição. Esses traços se ouvem, por exemplo, na instrumental “Primeiro Vôo”, tanto no tema, executado em duo de guitarra e saxofone, quanto no improviso de guitarra, quando então fica clara sua vocação verbal. E na delicada “Aurora e o Mar”, composição que navega entre a serenidade e a melancolia, entre a canção de ninar, a calmaria e a solidão.

Tocada em trio de guitarra, baixo e bateria, “Aurora” – assim como “Acolhida” – evocam a atmosfera de “Bright Size Life”, célebre disco do consagrado guitarrista Pat Metheny, influência que é possível perceber em outras passagens deste “Solar”. Instrumentais e canções se alternam com naturalidade, intérpretes convidados e músicos se sucedem em diferentes formações, e, também nesse aspecto, o que se escuta é uma narrativa convincente no conjunto da obra.

De todas, “Desfecho em sol” é a composição que mais dialoga com os standards do jazz americano, referência presente na formação do compositor, que estudou na Berklee College of Musica, em Boston. Executado em trio, o tema finaliza o disco em atmosfera meditativa e de expectativa, ao mesmo tempo equilibrando a intensidade da faixa anterior (“Desempate”, com letra e interpretação vibrantes de Bruna Caram) e provocando o ouvinte a refazer o percurso completo do disco – aliás, todo realizado “ao vivo”, com a gravação simultânea dos instrumentos.

“Queríamos que o trabalho adquirisse uma pulsação orgânica e espontânea”, sinaliza Daniel Oliva. Caráter que acabou por transbordar também na própria gravação das canções, como na triste “Nosso Apartamento”, faixa com letra de Dan Nakagawa e gravada em interpretação exuberante de Luciana Alves, valendo logo em seu primeiro take. Interpretada pelo português Antonio Zambujo, “Abraço distante”, com letra do irmão Rafael Oliva, traz solo conciso de violão e serve de exemplo acabado da riqueza emocional que atravessa todo o disco.

O Tupi or not Tupi fica na Rua Fidalga, 360, na Vila Madalena. Informações: (11) 3813.7404 ou pelo site www.tupiormottupi.net

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Monica Ramalho

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