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O artista plástico Philippe Gebara, 45 anos recém completados, vai abrir o Estúdio Gablon pela primeira vez para mostrar os trabalhos sobre os quais tem se debruçado nos últimos tempos e que compõem a mostra “Vertizonte”. Exclusivamente no dia 10 de agosto, uma quinta-feira, das 19h às 22h, ele vai exibir cerca de 20 obras, entre quadros e esculturas CuboTopia, série que utiliza mídias bi e tridimensionais nas quais formas geométricas se comunicam no espaço.

Foto de Henrique Madeira

“O cubo é a representação de toda e qualquer coisa que está no mundo e a gente convive o tempo inteiro. É o 3D em pessoa. Trabalho mais com equação do que com uma ideia. E sou ruim em matemática (risos). Quando você não domina alguma coisa, você se surpreende mais”, filosofa o neto do criador das Casas Gebara, um império de tecidos do seu tempo, irmão da cantora Renata Gebara e primo do guitarrista Tonho Gebara.

Com muita clareza, Philippe – Bili, como é conhecido – escolheu até aqui o caminho do anonimato. Inclusive ninguém sabe de quem é a autoria da sua obra mais famosa: a escultura colorida de metal pousada no coração do Baixo Gávea. “Coloquei ela na cara dura, em 2013. E já ouvi tanta história de gente se dizendo o criador que preferi deixar assim”, comenta, com a tranquilidade de quem não está em busca da fama.

Ele diz que recebe dos amigos fotos de crianças brincando na estrutura e pessoas se alongando, e que se sente feliz ao ver que uma peça sua faz parte do cotidiano da cidade, reforçando a ideia de se surpreender como que faz. “Gosto de pensar no meu trabalho como ferramenta inútil pelo fato de não ser feito para uso, mas um uso surgir”, provoca. Uma obra igual será exposta no dia 10.

Pioneiro no grafitti carioca
Philippe Gebara se identifica mais com a atividade de muralista, mas isso não faz com que os grafiteiros do Rio o respeitem menos pela força do seu graffiti, que ganhou os muros do Rio de Janeiro nos anos 80. Começou a carreira aos 13 anos, pintando calças heavy metal e fazendo histórias em quadrinhos na escola. Foi tatuador dos 17 aos 37 anos.

Estudou na Escola de Belas Artes de Nova York, a convite de Jack Endewelt e, ainda em NY, foi assistente de Joe Orlando, editor da MAD Magazine. Já quis encontrar Deus através do desenho pois pensava que Deus tinha desenhado tudo que existe, tamanha era a perfeição que buscava imprimir em seu traço.

“Aprendi a desenhar reproduzindo cavalos e hoje mesmo estava pensando que a arte é como um cavalo que você doma para, assim que um ganha a confiança do outro, deixar solto para galopar. Gosto de trabalhar nessa oscilação e abrir espaço para os imprevistos”. O artista diz que se vê frustrado, na maioria das vezes, quando conclui uma obra. Fica com aquela sensação esquisita de ‘não era bem isso’, e esse é o motor da sua criação: a zona de conflito interior.

De volta ao Brasil em 2001, após presenciar a queda do World Trade Center, no fatídico 11 de setembro, Bili frequentou um curso de imersão na casa do professor Charles Watson, enquanto realizava exposições por galerias do país e levava os cubos que ele mesmo faz no estúdio para feiras nacionais e internacionais. Em 2013, levado por um desejo de multiplicar os cubos sem ocupar um espaço real, desenvolveu o Lelax, um aplicativo gratuito para ser jogado via celular ou tablet, disponível para iPhone e Android – e que considera uma obra, assim como um quadro ou uma escultura.

No meio de tanta madeira, acrílico, espelho, aço, tinta, ímã e até gigabyte, os materiais que usa diariamente no seu ofício, Bili prioriza um farto tempo para ser um pai dedicado à outra criação, no caso, dos seus quatro filhos: Pedro, 14, Tom, 13, João, 7, e Francisco, 6 anos.

Este ano, decidiu que estava na hora de abrir as portas do Estúdio Gablon, assim batizado por ficar na fronteira entre a Gávea e o Leblon. Bateu uma inquietude de mostrar o seu trabalho, que, na verdade, já está nas paredes de colecionadores.

“A escultura do BG é uma boa metáfora da minha vida: Todo mundo vê, mas quase ninguém sabe quem fez”, pondera Philippe Gebara. A exposição “Vertizonte” está aí para mudar isso.

Philippe Gebara apresenta a mostra “Vertizonte”, serviço:.
QUANDO: 10 de agosto, uma quinta-feira, das 19h às 22h
ONDE: Estúdio Gablon – Av. Visconde de Albuquerque, 1392
QUANTO: Grátis

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Monica Ramalho

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