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mar
17

Entre os dias 24 de março e 28 de maio, o Museu Histórico Nacional vai estender a canga e abrir o guarda sol para receber a exposição “Quando o mar virou Rio”. A mostra foi idealizada e produzida pelo estúdio M´Baraká e pela produtora Logorama, com patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura por meio da Lei Municipal de Incentivo a Cultura – Lei do ISS, e da Multi Terminais, copatrocínio da E.T.T. First RH e a Shift Gestão de Serviços e apoio do Control Lab e do Consulado Francês.

Ao todo, serão 130 obras, entre gravuras, fotografias, instalações e pinturas, de 25 artistas, organizadas em nove temas que resgatam a história da relação dos moradores do Rio de Janeiro com a praia – desde a origem, quando os médicos receitavam banhos de mar para curar doenças de pele ou respiratórias, até os dias atuais, incluindo a moda, os esportes e o ideal de carioquice que ganhou fama no mundo inteiro.

Júlio Bittencourt | Piscinão de Ramos

Júlio Bittencourt | Piscinão de Ramos

“O mar, em sua imensidão, sempre estimulou a imaginação humana e trouxe o medo do desconhecido, gerando uma infinidade de lendas que afastavam o homem do oceano. Foi apenas na Idade Moderna que o mar deixou de ser concebido como um caótico berço de mistérios incompreensíveis. A força de um mito está em seu potencial de parecer que sempre existiu. O banho de mar e a cultura de praia estão tão associados ao Rio de Janeiro que nem parecem ser hábitos recentes, com cerca de 100 anos”, dispara Isabel Seixas. Ela, Diogo Rezende e Letícia Stallone são os curadores da mostra e formam o coletivo Curatorial do estúdio M´Baraká.

A partir do batismo da cidade, quando os portugueses, por engano ou peculiaridades linguísticas, entenderam a baía (de Guanabara) como um rio, desenrolou-se uma narrativa que comprova que, apesar de chamada Rio, a cidade é abraçada pelo mar. “Quando o mar virou Rio” conta muito bem essa história, com o auxílio de artistas de diferentes épocas e técnicas, associados a conteúdos multimídias, objetos e imagens de acervo que foram encontrados em pesquisas iconográfica e histórica, feitas nos últimos três anos.

Augusto Malta | Copacabana Palace

Augusto Malta | Copacabana Palace

Uma parte significativa dessa coleção veio de acervos: 11 artistas e 24 obras são do próprio Museu Histórico Nacional; 26 obras das coleções dos fotógrafos Augusto Malta (1864-1957) e Alair Gomes (1921-1992) pertencem à Biblioteca Nacional; e há mais 5 imagens do Augusto Malta que compõem o acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS). Malta retratou a evolução urbana da cidade pelo prefeito Pereira Passos, nas primeiras décadas do século XX, e Alair foi o precursor da fotografia homoerótica, voyerística, a partir do final dos anos 60. Além disso, há outros 10 artistas contemporâneos com cerca de 70 trabalhos expostos.

“A curadoria gosta de pensar que a exposição é uma ode ao movimento da cidade, que começa com a vinda dos primeiros índios que buscavam a terra sem males, passa pelos navegantes portugueses e é porto de partida e chegada de produtos, pessoas e influências de além mar, até quando o Rio se volta literalmente para a praia, desaguando numa paixão do carioca por ocupar a orla de diferentes maneiras”, aponta o curador Diogo Rezende.

Para Letícia Stallone, também curadora, a mostra “apresenta parte da história dessa cidade, conhecida no mundo inteiro como Rio, mas que tem uma trajetória tão entrelaçada ao mar que a sua própria identidade está vinculada à imensidão da água salgada, ao sol, à areia e tudo que pertence a esse ambiente. Tudo isso num mesmo gingado que a gente que se mete nessa geografia acaba adquirindo”.

“Apoiar a cultura é servir ao próximo. Nós, da E.T.T. First RH e da Shift Gestão de Serviços, administramos os nossos negócios com muita seriedade e acreditamos que as pessoas que consomem cultura têm mais ferramentas para serem profissionais melhores. Somos cariocas de nascimento e a nossa história está mergulhada nas águas e baseada nas terras que a exposição ‘Quando o mar virou Rio’ revisita”, exulta o diretor Guilherme Paletta.

Fotos raras de Genevieve Naylor e outros achados
Um dos pontos altos da mostra são as duas fotografias raras da americana Genevieve Naylor (1915-1989), que foi contratada pelo governo de Franklin Roosevelt nos anos 40 para criar uma imagem de Brasil bem aceita nos Estados Unidos. Ela se encantou pela cultura brasileira e voltou para casa com mais de 1300 fotos incríveis, retratando o cotidiano da Praia de Copacabana, por exemplo, que vivia o seu auge. As imagens foram cedidas pelo seu filho e são praticamente desconhecidas aos olhos do público.

Rogério Reis | Surfistas de Trem

Rogério Reis | Surfistas de Trem

Há obras importantes de artistas atuantes. Rogério Reis foi convidado a participar com os ensaios Surfista de Trem e Ninguém é de Ninguém. O primeiro, de 1989, mostra o esporte radical praticado por jovens nos trens do subúrbio do Rio. O segundo, realizado entre 2010 e 2014, faz as vezes de um manual de como fotografar na praia, trazendo à tona as questões que cercam os direitos de imagem. Bruno Veiga terá um painel inédito com os seus recortes aéreos das Pedras Portuguesas dos calçadões. E quatro fotos dos ensaios que Júlio Bittencourt fez do Piscinão de Ramos nos verões de 2008 a 2010 também estarão na parede do Museu Histórico Nacional.

Já os artistas Gisela Motta e Leandro Lima deram vida à fotografia em preto e branco de uma maloca Yanomâmi incendiada na Amazônia, feita por Claudia Andujar em 1976, na vídeo instalação Yano-a, de 2005, que traz uma memoria relativa ao extermínio do povo indígena na lendária batalha de Estácio de Sá, à beira da baía, quando centenas de aldeias foram incendiadas. O coletivo OPAVIVARÁ! apresentará a obra EU ♥ CAMELÔ, que exalta este devir camelô que se esgueira nas areias escaldantes, fugindo e apanhando da lei enquanto refresca a sede do PM, do gringo e do playboy.

Laercio Redondo | Paisagem Impressa

Laercio Redondo | Paisagem Impressa

Um outro grande destaque da mostra é a obra Paisagem Impressa, do brasileiro radicado na Suécia Laércio Redondo, com gravuras do francês Jean Baptiste Debret (1768-1848) sobre o Rio de Janeiro do seu tempo. Em cada um dos 77 bancos há livros e textos que representam, na visão dos convidados do artista, uma paisagem contemporânea dessa cidade maravilhosa, que relaxa nos finais de semana nas areias, ao sabor das ondas tropicais.

Artistas contemporâneos: Alexandre Voegler, Benoit Fornier, Bruno Veiga, Gisela Motta e Leandro Lima, Júlio Bittencourt, Laércio Redondo, Marco Antonio Portela, OPAVIVARÁ, Rogério Reis e Tito Rosemberg.

Artistas de acervos (Museu Histórico Nacional, MIS, Biblioteca Nacional e particular): Alair Gomes, Augusto Malta, Eugene Cicere, Frederico Salathé, Genevieve Naylor, João Steinmann, José Silveira d’Avila, Juan Gutierrez, Leon Jean Baptiste Sabatier, Louis Lebreton e William Burchell.

“Quando o Mar virou Rio” é uma realização do estúdio M’Baraká e da Logorama em correalização do Museu Histórico Nacional, Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ministério da Cultura e Governo Federal.

Serviço:.
QUANDO: de 24 de março a 28 de maio de 2017
ONDE: Museu Histórico Nacional – Praça Marechal Âncora, s/nº, Centro
QUANTO: R$ 10 (inteira) | R$ 5 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)
E MAIS: Aberto para visitação de terça a sexta, das 10h às 17h30; aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h

fev
17

A cantora e compositora brasiliense Ellen Oléria convida Nazaré Pereira e Lazzo Matumbi para duas noites de muita folia, em 27 e 28 de fevereiro (segunda e terça-feira de Carnaval), às 18h, no Sesc Pinheiros, no show “De Brasília Pará Bahia”. O nome remete às cidades natais dos artistas, brincando com a sonoridade que resultou essa união. No palco, a anfitriã recebe essas duas potências da nossa música popular: a paraense Nazaré e o baiano Lazzo. Ingressos a R$ 50.

ellen oléria
Ellen Oléria (voz e violão, em foto de Karina Zambrana) incluiu no repertório composições próprias que dialogam com os universos da dupla. O público pode esperar pelos seus grooves característicos, interpretados pela banda que a acompanha sob a direção musical de Júnior Meirelles (guitarras). São eles: Ed Menezes (contrabaixo), Salomão Soares (teclados), Davi Gomes (bateria), Valentio Menezes e Lieber Rodrigues (percussões).

O roteiro é um bem casado de mais de 20 músicas que transitam sobre os universos dos três cantores e compositores. Estão lá “A nave”, “Mudernage” e “Forró da Olinta” (Ellen Oléria); “Xapuri do Amazonas”, “Lá vou eu” (Nazaré Pereira) e “Maculelê” (todas de Nazaré Pereira, a última em parceria com Coaty de Oliveira); “Alegria da cidade” (Lazzo Matumbi), “Me abraça, me beija” (parceria com Gileno Felix) e “Olhos de Xangô” (dele com Jorge Portugal).

De compositores que influenciam Ellen, Nazaré e Lazzo há sucessos como “Um canto de afoxé para o Bloco de Ilê” (Caetano Veloso e Moreno Veloso), “Filhos de Gandhi” (Gilberto Gil) e “Canto de Xangô” (Baden Powell e Vinicius de Moraes) e “Taj Mahal” (Jorge Ben), “Quixabeira” (Carlinhos Brown), “Coleur café” (Serge Gainsbourg) e “Anunciação” (Alceu Valença).

Um pouco sobre cada um
Com 15 anos de carreira, prêmios em festivais, cinco álbuns lançados e à frente do programa Plural, que integra a grade da TV Brasil, como uma das apresentadoras, a brasiliense Ellen Oléria está em turnê de lançamento do recente “Afrofuturista” (2016). O disco combina gêneros brasileiros, entre eles o samba, o forró, o carimbó, o afoxé e o maracatu, com os timbres e arranjos contemporâneos que apontam para um encontro urbano de identidades e discurso de protagonismo das comunidades negras no Brasil.

Nascida em Xapuri, no Acre, Nazaré Pereira iniciou na vida artística pelo teatro. Em 1971, se destacou no programa do Flávio Cavalcanti da TV Tupi e ganhou uma viagem a Lisboa, em Portugal. De lá foi para Nancy estudar artes cênicas. Depois, se fixou em outra cidade francesa: Paris, onde ainda vive. Com 12 discos lançados desde 1978, Nazaré defende um repertório fincado em ritmos do Norte e do Nordeste, como boi bumbá, xote, baião e ciranda. Oportunidade de ouro para quem ainda não desbravou a sua música.

O baiano Lazzo Matumbi é dono de uma musicalidade que vai do samba ao jazz, privilegiando soul, reggae e outros batuques de origem africana. Ao longo de uma carreira popular, desde os anos 70, quando estreou como vocalista do Ilê Ayê, amealha sucessos, da linha de “Alegria da cidade”, “Do jeito que seu nego gosta”, “Me abraça, me beija” e “Abolição”. Já cantou com Ellen Oléria em 2015, no show Pérolas Mistas, de Carlinhos Brown. Lazzo segue encantando plateias mundo afora com a sua voz e groove inconfundíveis.

O Sesc Pinheiros (Teatro Paulo Autran) fica na Rua Pais Leme, 195, em Pinheiros, São Paulo. Informações: (11) 3095.9400.

jan
09

De vento em popa em seus propósitos, o Ateliê Oriente vai realizar três workshops para abrir 2017 com o clique direito. Profissionais, estudantes e até mesmo leigos são bem vindos nas salas de aula aconchegantes do espaço, já conhecido ponto de difusão da fotografia na cidade.

Nos dias 17 e 19, Fabio Seixo vai ensinar a criar vídeos com uma linguagem própria no curso “Produção de vídeos para a web”; nos dias 21 e 22, será a vez de Custodio Coimbra compartilhar a sua experiência no fotojornalismo com a segunda turma do curso “Levantando a Máquina – Fotografia e Ousadia” (abaixo, um registro foto da primeira turma, realizada em novembro último); E nos dias 27, 28 e 29, a dupla Marcos Bonisson e Joaquim Paiva vai orientar os participantes com seus projetos artísticos de toda a ordem no curso “Processos criativos em imagens”.

Primeira turma do Custodio Coimbra

“A ideia é estar sempre criando possibilidades para os alunos ampliarem os seus conhecimentos técnicos e, ao mesmo tempo, refletirem sobre a fotografia, dando consistência para o desenvolvimento de trabalhos pessoais”, diz Kitty Paranaguá, sócia de Paulo Marcos M. Lima, Ana Dalloz, Marco Antonio Portela e Thiago Barros no Ateliê.

O Ateliê Oriente fica na Rua do Russel, 300 / 401, na Glória. Os workshops do mês custam de R$ 240 a R$ 440 e as inscrições podem ser feitas por telefone (21) 3495.3800 ou pelo site www.atelieoriente.com

PROGRAMAÇÃO DE JANEIRO:.

  1. Produção de Vídeos para a Web, com Fabio Seixo

Dias 17 e 19 de janeiro
Quinta e sexta, das 18h às 22h
Carga horária: 8h
Investimento: R$ 240

Cada vez mais, o vídeo ocupa espaço na web, o fluxo de imagens em movimento vai dobrar ou mesmo triplicar em poucos anos. Como um fotógrafo pode começar a produzir vídeos e criar uma linguagem própria nessa nova realidade. Neste workshop veremos como capturar imagens e áudio de qualidade com câmeras DSLR, quais são os principais equipamentos a se investir e, principalmente, como construir uma narrativa e uma linguagem visual. Veremos também, como é possível fazer isso tudo sozinho, com pouco equipamento e muita agilidade. Pequenos vídeos como minidocs e webseries, estão ajudando as mídias editoriais e migrar do papel para a web, criando todo um mercado para fotógrafos e produtores independentes.

  1. Levantando a Máquina – Fotografia e Ousadia, com Custodio Coimbra

Dias 21 e 22 de janeiro
Sábado, das 9h às 18h, e domingo, das 9h às 13h
Carga horária: 11h
Investimento: R$ 440

‘Levantando a Máquina – Fotografia e Ousadia’ é o tema do encontro de um fim de semana com Custodio Coimbra, que elege a rua como palco e objeto da exploração fotográfica. A dinâmica começa com a projeção e a leitura crítica do ensaio ‘Retalhos do Rio’, reunindo uma centena de fotos produzidas por Custodio nos últimos 30 anos, que revelam a cidade em sua diversidade. Em foco, composição, valorização dos elementos, diagonais e sujeitos. Custodio abordará a hora da espera, da aproximação, a agilidade e a atenção à sincronicidade da cidade em movimento. O workshop inclui o acompanhamento em uma saída fotográfica. As fotos dos participantes serão depois analisadas em grupo, levando em conta conteúdo, estética, estilo e técnica de cada um.

É fundamental possuir conhecimentos básicos de fotografia e domínio dos recursos da câmera, além de uma câmera digital, com controles manuais e um pen-drive para levar as fotos que serão produzidas.

Dinâmica
Projeção e leitura crítica do ensaio Retalhos do Rio no sábado, das 9h às 12h, uma hora para almoço e saída fotográfica, em local a ser decidido pelo grupo, das 14h às 18h. Análise das fotos produzidas pelos participantes no domingo.

  1. Processos criativos em imagens, com Marcos Bonisson e Joaquim Paiva

Dias 27, 28 e 29 de janeiro
Sexta, das 19h às 21h30, sábado, das 10h às 16h (pausa de 1h30 para almoço) e domingo, das 15h às 17h (opcional)
Carga horária: 9h
Investimento: R$ 390

O workshop ‘Processos criativos em imagens’ visa a contextualizar os múltiplos meios que artistas visuais utilizam na fotografia como suporte. Objetivamos, em caráter imersivo, orientar os participantes com seus projetos e dúvidas, independentemente do estágio em que o trabalho se encontre. O workshop dará ênfase à poética de um cotidiano que pode articular fiapos, fragmentos, digressões e vivências, como um exercício experimental de invenção.

Dinâmica
Sexta-feira: Apresentação do workshop, projeção de imagens e experiências dos orientadores na sexta, leitura de Portfolios e Orientação de Trabalhos no sábado e visita (opcional) à exposição “Em Polvorosa”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), com Marcos Bonisson e Joaquim Paiva.

 

set
13

O segundo tema do ciclo de encontros mensais DO SULCO AO BIT, promovido até dezembro, no Oi Futuro Ipanema, será “Do samba à bossa nova”, no dia 14 de setembro, às 19h30, com uma prosa entre Nei Lopes e Ruy Castro e a participação especial de Soraya Ravenle, Zé Paulo Becker e Oscar Bolão. Como o nome sugere, a série parte das gravações em sulcos dos discos de acetato em 78 rpm até os bits digitais. Em todas as edições haverá dois especialistas, um mediador e cantores, músicos e DJs convidados para ilustrar musicalmente o tema em pauta. A entrada é gratuita!

Ruy Castro por Bel Pedrosa

Ruy Castro por Bel Pedrosa

Esses encontros se destinam a aprofundar a história da música brasileira sob a ótica de especialistas e pesquisadores, entre eles Silvio Essinger, Henrique Cazes e Fernando Mansur, e com o charme das interpretações de sucessos de cada época, por nomes como Pedro Paulo Malta, DJ Sany Pitbull e Nina Wirtti. A produção é do Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB), com patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.

Nesta noite de setembro, será a vez do cantor, compositor, pesquisador e escritor Nei Lopes e do jornalista e escritor Ruy Castro esmiuçarem a história do samba, que, na verdade, se confunde com a história brasileira. Muito antes do país constar no mapas europeus, os nossos índios já cantavam e tocavam uma espécie de partido-alto nos seus rituais. Essa musicalidade nativa foi incrementada pela cultura negra, que veio diretamente da África nos navios negreiros. Tempos depois, foi inegável a contribuição de compositores brancos, como Noel Rosa, Lamartine Babo e Ary Barroso, que consolidaram o gênero.

Nei Lopes por Hudson Pontes

Nei Lopes por Hudson Pontes

A dupla discutirá a formação do samba, com os seus principais personagens e gêneros irmãos, como samba-choro, samba de breque e o samba-canção, o mais próximo da bossa nova. A batida do violão de João Gilberto, as harmonias inusitadas de Garoto, Valzinho, Custódio Mesquita e o genial compositor Tom Jobim foram responsáveis pela nova revolução no samba carioca e alguns de seus sucessos estarão no set list da cantora Soraya Ravenle, que fará a participação acompanhada pelo violonista Zé Paulo Becker e pelo baterista Oscar Bolão.

“Com esse ciclo de encontros desejamos identificar, valorizar e resgatar partes da memória musical brasileira que nem sempre estão em evidência, facilitando o acesso e reconhecimento do vasto patrimônio musical nacional. Também queremos possibilitar que historiadores, artistas e especialistas expressem as suas visões sobre cada um desses períodos, além de abrir espaço para o debate e a troca de conhecimento com o público”, diz o produtor cultural e presidente do IMMuB, João Carino, que fará a mediação de todas as edições. Até dezembro, haverá mais três temas: “­Do maxixe ao funk”, em 5 de outubro; ­“Do choro à eletrônica”, no dia 16 de novembro e “Da rádio à web”, em 14 de dezembro.

Soraya Ravenle por Leo Aversa

Soraya Ravenle por Leo Aversa

 

Este projeto integra o calendário de eventos comemorativos pelos 10 anos do IMMuB, organização voltada à pesquisa e preservação da memória musical brasileira. O Instituto já mapeou e catalogou mais de 81 mil discos produzidos no país, o equivalente a cerca de 800 mil fonogramas, reunindo cerca de 90 mil compositores e intérpretes. A catalogação abrange toda a história da música brasileira, desde a primeira gravação em 1902 até os lançamentos recentes. O acervo segue em constante expansão e está disponível para consultas gratuitas no portal <www.immub.org.br>

set
08

O Trio Clarioca será a terceira atração da Série Tom de Classe, no sábado, dia 10 de setembro, às 11h30, na Casa de Artes Paquetá, com entrada gratuita. Três destacados músicos da nova geração – Vitor Macedo (clarinete), João Willian (clarinete e requinta) e Marcelo Vieira (clarinete e clarone) – são a base do conjunto, que já figura entre os ensembles de clarinetes mais importantes do Brasil.

trio clarioca
Eles têm se apresentado no circuito carioca e levaram a sonoridade que navega entre as fronteiras do erudito até o ClarinetFest2015, na Espanha. Nesta manhã de sábado na Série Tom de Classe, o conjunto apresentará obras especialmente compostas para ele. O programa inclui temas dos contemporâneos Jayme Vignolli, Pedro Paes, Mauricio Carrilho e João Bouhid, que tocará violão com o trio neste concerto, mais Ernesto Nazareth, Baden Powell, Severino Araújo e outros.

Ao todo, cinco excelentes grupos de jovens músicos em formação nas escolas de música e em projetos socioculturais da cidade foram escolhidos através de concurso para se apresentar na Série Tom de Classe, dedicada ao fomento da música de câmara no Rio de Janeiro. Após criteriosa seleção, todos fizeram aulas com Carla Rincón, violinista do Quarteto Radamés Gnattali, e agora estão aptos a dividir o que aprenderam com o público. O patrocínio é da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

De acordo com a pianista Josiane Kevorkian, sócia da Casa de Artes Paquetá e diretora artística desta série, “para ser um bom músico de câmara, é preciso muito mais do que saber tocar bem um instrumento. É preciso perceber o outro, visando a um intercâmbio construtivo entre os vários instrumentos na formação camerística escolhida. E essa parceria deve ser perseguida durante toda a vida, buscando sempre a excelência musical pautada, sobretudo, na humildade do relacionamento de seus integrantes”.

Próximos dois concertos:.

17 de setembro | Duo de Percussão da UFRJ

duo de percussõesCriado em 2013 pelos alunos Fausto Maniçoba e Marcos Nero para a disciplina Prática de Conjunto, do curso de bacharelado em percussão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Duo de Percussão da UFRJ tem tocado regularmente na própria universidade e, em 2016, participou do Dia da Percussão da Percussive Arts Society (PAS), evento que reuniu percussionistas de todo o Brasil. Nesta apresentação na Casa de Artes Paquetá, a dupla tocará composições de Pixinguinha, Fernando Iazzetta, Dimitri Cervo, Ney Rosauro e Cássio Cunha, entre outros.

24 de setembro | Dualidade Sonora

dualidade sonoraDenusa Castellain (flauta) e Samuel Junior (clarinete) se uniram no Dualidade Sonora com a finalidade de pesquisar e apresentar uma nova proposta camerística. O duo de Curitiba vêm participando de diversas atividades culturais, entre elas o 53º Festival Villa-Lobos, no qual obteve o primeiro lugar dentre os cinco finalistas do V Concurso de Música de Câmara, do Núcleo Pedagógico da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O programa na Série Tom de Classe contemplará temas de Heitor Villa-Lobos, Tom Jobim e André Jolivet, entre outros.

Série Tom de Classe, serviço:.

QUANDO: dias 10, 17 e 24 setembro. Sábados, às 11h30
ONDE: Casa de Artes Paquetá – Praça de São Roque 31, Paquetá. Informações: (21) 3397.0517
QUANTO: Entrada franca
E MAIS: Livre para todas as idades. Para chegar a Paquetá aos domingos, existem catamarãs saindo da Praça XV às 8h30 e às 10h. Horários sugeridos para retorno no mesmo dia: às 14h30, às 16h, às 17h30 e às 19h. A travessia dura cerca de 60 minutos

 

set
05

A exposição Arte como Campo de Jogo será inaugurada no dia 15 de setembro, às 18h, no Castelinho do Flamengo. Com curadoria de Simone Rodrigues, Marcos Bonisson e Thiago Barros, a mostra reúne 17 obras selecionadas de 19 artistas de cinco países (dois deles criaram em dupla) de 20 a 50 anos, que desenvolvem pesquisas no campo da imagem e apresentam diferentes experiências de linguagem e propostas narrativas. Baseada na ideia da arte como jogo, a montagem enfatiza as aproximações e diálogos entre os trabalhos, ou entre os “jogadores” e os seus “lances”. Fica em cartaz até o dia 16 de outubro, com entrada gratuita.

Paisagens Efêmeras

“Não é uma exposição de fotografia no sentido convencional, em que, com frequência, vemos imagens variando dentro de molduras padronizadas. Nosso objetivo é fazer a ‘fotografia ganhar vida’, sair do seu suporte tradicional e vir para o mundo. Em tempos de ampla banalização da imagem, é isso que faz com que o desdobramento do trabalho de cada um seja tão singular. Valorizamos a diversidade de meios e suportes: além de fotos impressas, há vídeos, objetos e instalações. A obra de Inês Quiroga, por exemplo, Coleção de Desejos, foi criada especialmente para esta exposição e dialoga com o Aterro do Flamengo e o espaço urbano em torno do Castelinho. O que esse grupo de artistas têm em comum é a importância da fotografia nas suas poéticas. A curadoria procurou reconhecer essas singularidades e explorar as relações entre elas. A maneira de expor cada obra foi pensada de forma a potencializar seu sentido, ou a força da sua experiência por parte do público. Por isso, cada trabalho ocupa um espaço muito planejado e aqueles que compartilham a mesma sala, na certa mantêm um diálogo”, explica Simone Rodrigues.

Há, por exemplo, uma sala com caixas escuras que convidam o visitante (maior de 18 anos) para uma experiência de peep show erótico (Todo T, de Ricardo Bruno e Fabian Gomes). Outra traz jogos gráficos que brincam com a herança construtivista, abstrata ou figurativa (Marés, de Yan Braz) e Todas as Coisas, de Viviana Covelli). Há uma Caverna de Platão, com instalação meio proto-cinema, meio teatro de sombras (de Loló Bonfanti). Existe, ainda, um “espaço que dorme” (Cidades Inabitadas, de Virgilio Garbayo e Shayan Mudra, de Taís Monteiro). Entre outros métodos de impressão alternativos, a obra Paisagens efêmeras, de Simone Tomé, apresenta impressões feitas com clorofila, diretamente sobre folhas de plantas. A diversidade da mostra se estende às nacionalidades dos artistas: além dos brasileiros, há duas argentinas, uma colombiana, um português e um espanhol.

Arte como Campo de Jogo explora caminhos através dos quais a fotografia se faz ideia, conceito, pensamento, um tipo de código que incita a sua decifração e que se tornou essencial nos sistemas de comunicação das sociedades modernas e, por isso mesmo, na arte contemporânea. A proposta curatorial, concebida de forma colaborativa, foi organizada em torno do conceito de “símbolo”, termo que tem origem no grego symbolon, ou seja “lançar junto, jogar junto”. O que se vê no interior de todo o Castelinho do Flamengo é uma coleção de fotografias em seu campo dito “expandido”, de arte híbrida, aberta à multiplicidade dos suportes e processos da imagem-máquina, da imagem-luz, da imagem-matéria. A temporada contará com programação de atividades complementares, como palestras, leitura de portfólios, bate-papo com os artistas e visita guiada pelos curadores. O patrocínio é da Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de Cultura, com produção do Curta O Curta.

A seleção das obras é resultado de convocatória entre os participantes (dos últimos 5 anos) dos cursos “Foto-matriz – processos criativos em fotografia” e “Fotografia e matéria”, desenvolvidos por Simone e Thiago na EAV do Parque-Lage, os artistas presentes na mostra são (em ordem alfabética):

Carlos Barradas – de Portugal
Claudia Mauad
Diogo Benjamin
Duda las Casas
Edilson Pereira e Guilherme Macedo
Inês Quiroga
Loló Bonfanti – da Argentina
Mara Tomietto – da Argentina
Maria Drummond
Ricardo Bruno e Fabian Gomes
Roberto Abreu
Simone Tomé
Taís Monteiro
Tatiana Guinle
Virgilio Garbayo – da Espanha
Viviana Covelli – da Colômbia
Yan Braz

Arte como Campo de Jogo, serviço
QUANDO: de 15 de setembro, às 18h, até 16 de outubro de 2016
ONDE: Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho – Castelinho do Flamengo (Rua Dois de Dezembro,
QUANTO: Grátis, com visitação de terça a domingo, das 10h às 18h

Atividades complementares:
(Sempre das 15h às 18h)
Dia 24 de setembro: Visita-guiada e bate-papo com artistas
Dia 1 de outubro: Palestra A fotografia contemporânea e seus suportes, por Thiago Barros
Dia 9 de setembro: Jogo da Vida em RGB: o foto-objeto na história da arte
Dia 15 de outubro: Leitura de Portfolio, por Marcos Bonisson

set
01

O segundo concerto da Orquestra Jovem Paquetá (OJP) para celebrar o século e meio de nascimento de Anacleto de Medeiros, será realizado no dia 4 de setembro, na Casa de Artes Paquetá, com entrada gratuita. Ao todo, serão seis apresentações, entre agosto e novembro, em homenagem a um dos fundadores do choro carioca, nascido na ilha. ‘Maestro Anacleto 150 anos’ passeará por diversas obras de Anacleto de Medeiros que receberam tratamento sinfônico.

OJP

Os próximos encontros da OJP com o público de Paquetá serão nos dias 2 de outubro, 6 de novembro e 4 de dezembro, sempre aos domingos e com entrada gratuita. Um único concerto desta homenagem entrará na programação da Casa do Choro, no Centro do Rio: no dia 18 de novembro, sexta-feira, às 12h30, com ingressos a R$ 30.

‘Maestro Anacleto 150 Anos’ tem Bruno Jardim na regência, Carla Rincón na direção musical, Josiane Kevorkian na direção artística desta homenagem, que será possível em virtude do patrocínio da Petrobras e do Governo do Rio de Janeiro através da Secretaria de Estado de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

Em 2006, o Bem Me Quer Paquetá apresentou um espetáculo totalmente dedicado ao repertório de Anacleto de Medeiros, comandado pela sua orquestra mirim. Para a maioria dos então pequenos instrumentistas, era o primeiro contato com o rico universo do maestro, que antes eles apenas conheciam como nome de rua da ilha, uma ladeira que mais parece montanha para quem tem as pernas curtas.

Uma década adiante e essa orquestra mirim cresceu, acumulou bagagem e se transformou na Orquestra Jovem Paquetá, com trajetória consolidada no cenário musical carioca e incontáveis apresentações no Brasil e no exterior. A ladeira Maestro Anacleto já não exige esforço para aqueles meninos que sonharam com o Bem Me Quer, atravessaram a adolescência com a OJP e hoje, quase adultos, se debruçam novamente sobre a obra de um dos maiores músicos brasileiros.

O novo espetáculo, como há dez anos, é uma homenagem a Anacleto no ano de seu sesquicentenário. As composições receberam tratamento sinfônico e agora estão nas mãos de quem não só conhece muito bem o maestro e sua importância para a formação da música popular nacional, como também amadureceu executando muitas de suas obras.

A Casa de Artes Paquetá fica na Praça de São Roque 31, em Paquetá. Informações: (21) 3397.0517. A entrada é franca e o concerto é livre para todas as idades. Para chegar a Paquetá aos domingos, existem catamarãs saindo da Praça XV às 8h30 e às 10h. Horários sugeridos para retorno no mesmo dia: às 14h30, às 16h, às 17h30 e às 19h. A travessia dura cerca de 60 minutos.

 

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De agosto a dezembro, o Oi Futuro em Ipanema promoverá o ciclo de encontros mensais Do Sulco ao Bit que, como o próprio nome sugere, parte das gravações em sulcos dos discos de acetato em 78 rpm até os bits digitais. O projeto vai delimitar alguns subperíodos importantes dessa trajetória, mostrados sob a ótica de especialistas e pesquisadores, como Silvio Essinger, Henrique Cazes, Nei Lopes e Ruy Castro, e interpretados por Soraya Ravenle, Época de Ouro, Pedro Paulo Malta e Zé Paulo Becker, entre outros. A produção é do Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB), com patrocínio da Oi, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura, da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro e apoio cultural do Oi Futuro. A entrada será gratuita.

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Em todas as edições haverá dois especialistas, um mediador e cantores, músicos e DJs convidados para ilustrar musicalmente o tema em pauta. O primeiro será “Do vinil ao download”, no dia 17 de agosto, às 19h30, com Fred Coelho, Hugo Sukman e a participação especial de Alfredo Del Penho (em foto de Leo Aversa).

A dupla de pensadores revisitará a história de todas as mídias, desde a chegada do disco ao país. Curiosidades sobre as primeiras gravações, como o disco de 76 evoluiu para 78 rpm, a explosão da venda dos gramofones e, depois, das vitrolas, e a música digital que nasceu junto com os anos 90. O cantor e compositor Alfredo Del Penho fará uma participação especial, ilustrando trechos de músicas que marcaram todo esse período, até hoje, com a força da Internet e a circulação sonora através do download.

“Com esse projeto, Do Sulco ao Bit, desejamos identificar, valorizar e resgatar partes da memória musical brasileira que nem sempre estão em evidência, facilitando o acesso e reconhecimento do vasto patrimônio musical nacional. Também queremos possibilitar que historiadores, artistas e especialistas expressem as suas visões sobre cada um desses períodos, além de abrir espaço para o debate e a troca de conhecimento com o público”, diz o produtor cultural e presidente do IMMuB, João Carino.

Este ciclo integra o calendário de eventos comemorativos pelos dez anos do IMUMuB, organização voltada para a pesquisa e a preservação da memória musical brasileira. O Instituto já mapeou e catalogou mais de 81 mil discos produzidos no país, o equivalente à cerca de 800 mil fonogramas, reunindo cerca de 90 mil compositores e intérpretes. A catalogação abrange toda a história da música brasileira, desde a primeira gravação em 1902 até os lançamentos recentes. O acervo segue em constante expansão, recebendo mensalmente centenas de discos, capas e músicas. O banco de dados está disponível no portal <www.immub.org.br> para consultas gratuitas.

Até dezembro, o ciclo visitará mais quatro temas: “Do samba à bossa nova”, no dia 14 de setembro; “­Do maxixe ao funk”, em 5 de outubro; ­“Do choro à eletrônica”, no dia 16 de novembro e “Da rádio à web”, em 14 de dezembro. O Oi Futuro fica na Rua Visconde de Pirajá, 54, em Ipanema. Informações pelo (21) 3131.9333. Todos os encontros serão gratuitos!

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Vêm aí o segundo espetáculo gerido dentro do projeto de Residência de Montagem de Espetáculo, realizado na Cia. Up Leon. Desta vez, o Anima Circ mostrará as suas habilidades no “Metaesquema”, livremente inspirado nas obras de Hélio Oiticica (1937-1980). A montagem se adianta às comemorações dos 80 anos de nascimento do pintor, escultor e artista plástico, e dos 50 anos da Tropicália, a serem completados em 2017. Hélio é autor do penetrável Tropicália, que batizou o movimento artístico do qual ele foi um dos criadores. Toda essa herança cultural ganhará releitura circense no “Metaesquema”, que será apresentado nos dias 6 e 7 de agosto, sábado e domingo, às 19h, na Arena Carioca Dicró, na Penha, com entrada gratuita.

Foto Micael Bergamaschi“O espetáculo é todo baseado na arte do Hélio Oiticica e a temática de fundo é a Tropicália. Temos muita cor nos figurinos e nos adereços. Hélio fazia de tudo para que o visitante travasse uma experiência sensorial com as suas criações e trouxemos isso para o ‘Metaesquema’. Há um momento em que o público participa da cena puxando uma corda que faz com que a acrobata gire com muita graça, feito um pião. Também nos preocupamos em criar essa interação sem a plateia pagar mico. Tudo é feito muito naturalmente, da própria cadeira, e dá um efeito bonito e divertido na cena”, explica o diretor artístico convidado e profissional de circo Gabriel Jacques.

Gabriel está sendo um importante parceiro nessa etapa da Up Leon, há 25 anos em atividade e escolhida em 2015 para ser um dos quatro Polos Cariocas de Circo, iniciativa da Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura a fim de fomentar a arte circense na cidade. Segundo ele, o cenário de “Metaesquema” reproduz seis obras de Hélio Oiticica, entre elas um parangolé, dois penetráveis e uma caixa amarela. Entre os dez números de circo apresentados, estão canastilhas, corda acrobática, lira, báscula e trapézio, por exemplo. É uma alegria para os olhos, assim como a obra do artista.

Para a Anima Circ, a estreia é um marco. “Já fizemos dois espetáculos amadores e este é o primeiro profissional, com equipe, trilha sonora e tudo bonitinho”, comemora Jonathan Rodrigues, o capitão desta nau, formada por 13 jovens de 18 a 31 anos, advindos da ONG Ação Comunitária de Apoio Psicossocial (Acaps – Dirce Galvão), um projeto que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na Favela do Aço, em Santa Cruz. Jonathan tem 29 anos e se dedica a cuidar dessa garotada. Disse que viu muitos talentos deixarem o circo por falta de verba. “As famílias reclamavam e eles saíam para procurar emprego. É uma felicidade fazer parte do Polo Carioca de Circo e, ainda mais, com a Up Leon, que conheço há anos porque a minha irmã já foi acrobata da companhia”, recorda.

“A oportunidade de trabalhar com uma companhia jovem com tanta vontade de fazer bonito está sendo uma experiência enriquecedora para a nossa equipe. O desafio de trazer o universo do Hélio Oiticica para o picadeiro nos ajudou a perceber o quanto as artes brasileiras se misturam o tempo todo. Isso sem falar na importância de relembrar o valor de um artista que deixou a sua marca bem impressa no mundo”, comenta Olga Dalsenter, diretora da Cia. Up Leon.

A Arena Dicró fica no Parque Ary Barroso, na Penha.

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O violonista e compositor Marcel Powell, filho de um dos gênios do violão brasileiro, Baden Powell vai dedilhar os sucessos do pai e receber o Troféu Beco das Garrafas em sua homenagem. Com seis álbuns lançados e alguns troféus, entre eles o Prêmio Rival Petrobras de 2006 na categoria ‘Melhor Instrumental Solo’, o herdeiro apresentará o show “Só Baden” no Beco das Garrafas no sábado, 6 de agosto, às 21h, com ingressos a R$ 40.

marcel powellNo roteiro, clássicos como “Berimbau”, “Samba em Prelúdio”, “Astronauta” e “Tempo Feliz” (todas de Baden e Vinicius de Moraes, o seu parceiro mais frequente, com quem compôs os Afro-sambas que são um capítulo à parte no cancioneiro do nosso país). Esse formato intimista de violão solo, permite que o músico conte histórias da infância e curiosidades sobre o repertório escolhido para a homenagem.

“Ele sempre me ensinou a ser um músico disciplinado. Uma coisa que ele dizia sempre é que o músico, para dominar o instrumento, tem que ser escravo dele. Tem que estudar todos os dias, até o final da vida, não importa quanto tempo tenha de carreira. Ele mesmo passava quatro, cinco horas diárias abraçado ao violão. Levo isso comigo e coloco em prática mais esse ensinamento do meu pai”, conta Marcel.

Baden Powell nos deixou em setembro de 2000, aos 63 anos, e é um nome fundamental para se entender a história da música popular brasileira, em especial do violão como é tocado por aqui. Ao todo, 20 artistas que escreveram a história da bossa nova serão homenageados até dezembro com essa série de shows em Copacabana, batizada Troféu Beco das Garrafas e patrocinada pela Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do Instituto João Donato.

Os homenageados – ou seus representantes convidados, já que alguns não estão mais conosco – serão chamados ao palco para cantar e receber o troféu que nomeia o projeto, como reconhecimento pela obra que nos legaram. Em seguida, uma banda fará um set instrumental com o repertório do homenageado, transformando a noite numa grande jam session, na qual canjas serão bem vindas.

Alguns nomes muito bacanas vêm aí: Bebeto Castilho vai relembrar os tempos de Tamba Trio; Miúcha cantará mais uma vez as maravilhas do amigo Vinicius de Moraes, ao lado de Georgiana de Moraes, filha do Poetinha; e os sucessos de Elis Regina serão interpretados por Laila Garin, que lhe deu vida recentemente no teatro.

 

Monica Ramalho

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