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set
15

O Equale mergulhou na obra do gênio baiano e pede a benção para lançar o álbum “Na Praia de Caymmi”, o terceiro do grupo vocal em atividade desde o início dos anos 90. A estreia será no dia 21 de setembro, às 21h, no Teatro Ipanema, com participação de Serjão Loroza. Nos dias 24 (Danilo Caymmi vai cantar junto!) e 25 de outubro, às 21h, será a vez de cantar para o público da Casa de Cultura Laura Alvim. Já no dia 28 de outubro, às 16h, o Equale levará o repertório de Dorival ao Parque das Ruínas. Ingressos a R$ 20. Essa turnê carioca tem mais um show marcado: em 7 de novembro, às 19h, na Casa do Choro, com ingressos a R$ 40.

Equale em foto de Cezar Adnet

“Na Praia de Caymmi” (independente) mistura grandes sucessos do homenageado – “Pescaria” e “O que que a baiana tem?”, samba de roda que ajudou a tornar a música popular brasileira mundialmente conhecida – com músicas menos revisitadas – “Horas” e “Canto de Nanã”. Já “Noite de Temporal” e “O Bem do Mar” marcam um estilo de composição único inventado por Dorival Caymmi: as canções praieiras. “Só Louco” revolucionou o samba canção e serviu de inspiração para a bossa nova que estava por vir.

O repertório magistral de Caymmi atraiu três participações muito especiais para a bolacha: Joyce Moreno nos arrebata com a sensualidade de sua “Morena do Mar”, Serjão Loroza amplia a intensidade dos versos de “Retirantes” (“vida de negro é difícil, é difícil como quê”) com o seu vozeirão e Danilo Caymmi representa a nobre linhagem de Dorival em “Vamos Falar de Tereza”, que fez parte da trilha sonora da minissérie global “Tereza Batista”, em 1992, num dueto dele com o pai. Danilo, aliás, entrou em estúdio com as mesmas flautas de bambu da época.

Para o músico e engenheiro de som Carlos Fuchs, sócio da Tenda da Raposa, onde o álbum foi feito, “o encanto e a simplicidade das melodias de Caymmi foram registrados de forma magistral pelas intrincadas linhas vocais deste que, com grande propriedade, segue a mui relevante tradição de gloriosos grupos vocais no Brasil. Do Bando da Lua ao MPB4, do Quarteto em Cy aos Cariocas, das revolucionárias ideias de Marcos Leite e seus Cobra Corais, disso tudo e mais, foi forjada a essência deste formidável grupo”.

O Equale faz transparecer o âmago da obra de Dorival em 15 faixas, com delicadeza e precisão, seja pelos sofisticados arranjos como pelas emocionadas interpretações. Os arranjos interpretados pelos 17 integrantes do Equale, especialmente escritos por três deles – André Protasio, Flavio Mendes e Dalton Coelho -, são executados à cappella ou com acompanhamento instrumental de percussão (Léo Mucuri, João Bani e Carlos Cesar), violões (nas mãos dos supracitados arranjadores) e baixo acústico (Leandro Vasques) e concebidos em diversos formatos desde uníssonos, solos e duetos, até oito vozes.

Com direção musical de André Protasio, o Equale é formado pelos cantores: Alice Sales, Ana Calvente e Nayana Torres (sopranos), Amanda Zullo e Letícia Dias (mezzos), Clara Rescala, Débora Braga, Muiza Adnet e Valéria Lobão (contraltos), Dalton Coelho, Flavio Mendes e Tom Andrade (tenores), André Protasio, Leandro Vasques e William Hester (barítonos), Murilo Sierra e Pedro Sabino (baixos).

Um pouco mais sobre o Equale
Formado no início dos anos 90 e privilegiando a voz como instrumento principal, o grupo sempre se destacou pela originalidade na interpretação da música popular brasileira, contemplando em seu repertório músicas de novos compositores e dos consagrados Tom Jobim, João Bosco, Lenine, Gilberto Gil e Milton Nascimento. Já se apresentou em importantes palcos, como CCBB Rio e São Paulo, Teatro Municipal de Niterói, Sala Funarte, além de premiado em Concursos e Festivais de música vocal no Brasil e na Espanha.

Em 2000 lançou o CD “Equale no Expresso Gil” (Albatroz), somente com músicas de Gilberto Gil. O segundo CD do grupo “Um gosto de sol” foi lançado em 2004 e homenageou a singular música mineira de Milton Nascimento, contando com participações especiais de Danilo Caymmi e do próprio Milton Nascimento, que declarou: “É o melhor CD de música vocal que eu já ouvi”. Após breve pausa, o grupo retomou suas atividades em 2013 para dar início à pesquisa que resultou nesta homenagem a Dorival Caymmi, que nunca sai de moda.

Equale lança “Na Praia de Caymmi” em quatro palcos cariocas:.

QUANDO: 21 de setembro (quinta), às 21h
ONDE: Teatro Ipanema – Rua Prudente de Morais, 824, em Ipanema. Informações pelo telefone: 2267.3750
QUANTO: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: Serjão Loroza

QUANDO: 24 e 25 de outubro (terça e quarta), às 21h
ONDE:  Casa de Cultura Laura Alvim – Av Vieira Souto, 176, em Ipanema. Informações pelo telefone: 2332.2016
QUANTO: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: Danilo Caymmi no dia 24

QUANDO: 28 de outubro (sábado), às 16h
ONDE: Parque das Ruínas – Rua Murtinho Nobre, 169, em Santa Teresa. Informações pelo telefone: 2215.0621
QUANTO: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)

QUANDO: 7 de novembro (terça), às 19h
ONDE: Casa do Choro – Casa do Choro – Rua da Carioca, 38, no Centro. Informações pelo telefone: 2242.9947
QUANTO: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia entrada)

ago
08

Com organização de Andreas Valentin e Marcos Bonisson, o Ateliê Oriente e o Capacete convidam ao “Esquenta pro Jack Smith”, uma homenagem ao cineasta Jack Smith (1932-1989) a ser realizada no sábado, 12 de agosto, das 19h às 00h. A proposta é apresentar ao público carioca, em espaço semelhante aos de Nova York, onde ele realizava as suas performances, uma noite de exibições de múltiplos aspectos de sua obra – desde as criaturas em questão até filmes seus e de outros diretores nos quais se destacou como ator principal, bem como uma seleção dos filmes e travelogues da Hollywood dos anos 1940 e de uma ambientação geral que evoque o artista. Grátis!

Imagem restaurada pela KDC Photography

Já faz algum tempo que Jack Smith é reconhecido e festejado no exterior como o mais maldito dos cineastas do underground norte-americano dos anos 1960 e também o mais ilustre ancestral da performance art. Influência importante das invenções e práticas de Andy Warhol e Hélio Oiticica, entre muitos outros, a sua produção panóptica engloba fotografia, colagem, slide shows e objets trouvés em abundância, de figurinos e esculturas a adereços e objetos de cena. Foi, ainda, ator extraordinário, comentarista político, poeta e ensaísta, provocador em tudo antes de todos. “Flaming Creatures” (Criaturas em chamas), de 1963, foi o único filme que completou. A partir dessa obra, os seus filmes tornaram-se performances, montados e remontados durante a própria situação de suas exibições, eternamente cambiantes e recursivos.

“Jack Smith foi, mais do que tudo, um agitador, ou melhor um chacolhador de corações em mentes nos anos 60. Numa Nova York onde imperava a criatividade sem limites, Smith, com um ímpeto incontrolável, se destacou por de ir além do que vinha sendo feito na cena artística”, dispara Paulo Marcos M. de Lima, um dos sócios do hub de fotografia Ateliê Oriente, que vai unir esforços com o Capacete, um espaço de arte sem fins lucrativos que promove o pensamento contemporâneo, dirigido por Helmut Batista. Ambos ficam sediados no mesmo prédio, na Rua do Russel, 300, na Glória.

Para Marcos Bonisson, um dos curadores da ocupação relâmpago, “Jack Smith foi um artista extraordinário, um inventor de mundos. Esse evento é uma homenagem a ele e ao seu fabuloso legado nas artes”. Orientes, véus, odaliscas, monstros e lagostas, o louco barroco da mais virulenta revolta contracultural do século passado estará de volta por uma noite ao Rio de Janeiro, cidade que ele visitou em 1966, com a participação de: Agrippina R. Manhattan + Camila Botelho + Carol Azevedo + Chico Fernandes + Khalil Charif + Lucas Demps + Thomas Valentin + Vinicius Nascimento + Yan Braz.

Esquenta pra Jack Smith, serviço:.
QUANDO: No sábado, 12 de agosto, das 19h às 00h
ONDE: Capacete – Rua do Russel, 300 / 601, na Glória
QUANTO: Grátis

ago
08

O artista plástico Philippe Gebara, 45 anos recém completados, vai abrir o Estúdio Gablon pela primeira vez para mostrar os trabalhos sobre os quais tem se debruçado nos últimos tempos e que compõem a mostra “Vertizonte”. Exclusivamente no dia 10 de agosto, uma quinta-feira, das 19h às 22h, ele vai exibir cerca de 20 obras, entre quadros e esculturas CuboTopia, série que utiliza mídias bi e tridimensionais nas quais formas geométricas se comunicam no espaço.

Foto de Henrique Madeira

“O cubo é a representação de toda e qualquer coisa que está no mundo e a gente convive o tempo inteiro. É o 3D em pessoa. Trabalho mais com equação do que com uma ideia. E sou ruim em matemática (risos). Quando você não domina alguma coisa, você se surpreende mais”, filosofa o neto do criador das Casas Gebara, um império de tecidos do seu tempo, irmão da cantora Renata Gebara e primo do guitarrista Tonho Gebara.

Com muita clareza, Philippe – Bili, como é conhecido – escolheu até aqui o caminho do anonimato. Inclusive ninguém sabe de quem é a autoria da sua obra mais famosa: a escultura colorida de metal pousada no coração do Baixo Gávea. “Coloquei ela na cara dura, em 2013. E já ouvi tanta história de gente se dizendo o criador que preferi deixar assim”, comenta, com a tranquilidade de quem não está em busca da fama.

Ele diz que recebe dos amigos fotos de crianças brincando na estrutura e pessoas se alongando, e que se sente feliz ao ver que uma peça sua faz parte do cotidiano da cidade, reforçando a ideia de se surpreender como que faz. “Gosto de pensar no meu trabalho como ferramenta inútil pelo fato de não ser feito para uso, mas um uso surgir”, provoca. Uma obra igual será exposta no dia 10.

Pioneiro no grafitti carioca
Philippe Gebara se identifica mais com a atividade de muralista, mas isso não faz com que os grafiteiros do Rio o respeitem menos pela força do seu graffiti, que ganhou os muros do Rio de Janeiro nos anos 80. Começou a carreira aos 13 anos, pintando calças heavy metal e fazendo histórias em quadrinhos na escola. Foi tatuador dos 17 aos 37 anos.

Estudou na Escola de Belas Artes de Nova York, a convite de Jack Endewelt e, ainda em NY, foi assistente de Joe Orlando, editor da MAD Magazine. Já quis encontrar Deus através do desenho pois pensava que Deus tinha desenhado tudo que existe, tamanha era a perfeição que buscava imprimir em seu traço.

“Aprendi a desenhar reproduzindo cavalos e hoje mesmo estava pensando que a arte é como um cavalo que você doma para, assim que um ganha a confiança do outro, deixar solto para galopar. Gosto de trabalhar nessa oscilação e abrir espaço para os imprevistos”. O artista diz que se vê frustrado, na maioria das vezes, quando conclui uma obra. Fica com aquela sensação esquisita de ‘não era bem isso’, e esse é o motor da sua criação: a zona de conflito interior.

De volta ao Brasil em 2001, após presenciar a queda do World Trade Center, no fatídico 11 de setembro, Bili frequentou um curso de imersão na casa do professor Charles Watson, enquanto realizava exposições por galerias do país e levava os cubos que ele mesmo faz no estúdio para feiras nacionais e internacionais. Em 2013, levado por um desejo de multiplicar os cubos sem ocupar um espaço real, desenvolveu o Lelax, um aplicativo gratuito para ser jogado via celular ou tablet, disponível para iPhone e Android – e que considera uma obra, assim como um quadro ou uma escultura.

No meio de tanta madeira, acrílico, espelho, aço, tinta, ímã e até gigabyte, os materiais que usa diariamente no seu ofício, Bili prioriza um farto tempo para ser um pai dedicado à outra criação, no caso, dos seus quatro filhos: Pedro, 14, Tom, 13, João, 7, e Francisco, 6 anos.

Este ano, decidiu que estava na hora de abrir as portas do Estúdio Gablon, assim batizado por ficar na fronteira entre a Gávea e o Leblon. Bateu uma inquietude de mostrar o seu trabalho, que, na verdade, já está nas paredes de colecionadores.

“A escultura do BG é uma boa metáfora da minha vida: Todo mundo vê, mas quase ninguém sabe quem fez”, pondera Philippe Gebara. A exposição “Vertizonte” está aí para mudar isso.

Philippe Gebara apresenta a mostra “Vertizonte”, serviço:.
QUANDO: 10 de agosto, uma quinta-feira, das 19h às 22h
ONDE: Estúdio Gablon – Av. Visconde de Albuquerque, 1392
QUANTO: Grátis

jun
29

Para comemorar os 85 anos de vida, o cantor, compositor, violonista e cineasta Sérgio Ricardo vai estrear o show “Cinema na Música” em 29 de junho, às 21h, no Teatro Solar de Botafogo. Artista de múltiplos cantos em uma só voz: a da autoexpressão, que inspira e convoca para a expressão coletiva, Sérgio é o criador de uma obra rara, desenvolvida em quase 70 anos, por meio da união de sua sólida formação musical com a força das imagens e das palavras. Há um financiamento coletivo para a realização deste show e os ingressos só serão vendidos via Catarse, de R$ 40 a R$ 3.000, de acordo com a recompensa escolhida no www.catarse.me/cinemanamusica

Sérgio Ricardo e filhos

Neste novo espetáculo sonoro e visual, os cantores Marina Lutfi, que também assina  a direção artística, e João Gurgel acompanham o pai, ao lado de uma “banda-orquestra” estelar, formada por Lui Coimbra (violão e violoncelo), Marcelo Caldi (piano e acordeon), Alexandre Caldi (sopros), Guto Wirtti (baixo) e Carlos Cesar (percussão).

No roteiro, canções feitas para os seus próprios filmes e alguns sucessos, chamando o público para reviver e cantar narrativas que marcaram a história do cinema brasileiro. “Barravento”, inspirado no filme do Glauber, “Esse mundo é meu”, com letra de Ruy Guerra, “Cantador de Caiazeiro” (abertura do seu filme mais cultuado, “A noite do espantalho”), “Zelão”, o seu primeiro sucesso e “Palmares”, com letra de Capinan, vão reverberar no Solar de Botafogo, enquanto trechos das películas serão projetados no palco. A realização é uma parceria Cacumbu Produções + A Ponte Produções.

Compositor de inúmeras canções e trilhas sonoras, como a do clássico “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, filme de Glauber Rocha, e bom contador de histórias, Sérgio Ricardo se tornou cineasta nos anos 60. Premiado internacionalmente, realizou três longas metragens – “Esse mundo é meu” (1964), “Juliana do amor perdido” (1968) e “A noite do espantalho” (1973) e mais de dez curtas, entre eles “Menino da calça branca” (1961) e o mais recente “Pé sem chão” (2014).

Em os seus filmes, a música assume um papel potencialmente narrativo, criando uma linha de envolvimento entre os personagens, a história e o público. É mais do que trilha – é praticamente um personagem dentro do enredo. Sérgio criou obras que provocam o público a sentir o cinema, ouvi-lo, cantá-lo, e essa experiência será vivida neste “Cinema na Música”, que pretende circular pelo país.

Financiamento coletivo
Os ingressos só poderão ser adquiridos através do Catarse (www.catarse.me/cinemanamusica). Além do ingresso, o público pode escolher quanto pagar, de acordo com as recompensas oferecidas. Há itens variados, como download da filmografia completa do artista , DVDs e até cópia da partitura do Cordel de ‘Deus e Diabo na Terra do Sol’, do Sérgio Ricardo e Glauber Rocha. É uma oportunidade única, fazer parte de uma celebração de tamanha importância e ainda receber um souvenir carregado de história e sentimento, assinado pelo múltiplo Sérgio Ricardo.

jun
07

No próximo dia 21 de junho, das 19h às 22h, o Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) lançará, em evento no Oi Futuro Flamengo, a versão reformulada do seu site, detentor do maior catálogo online da música brasileira e uma das principais referências em pesquisa da discografia nacional. O endereço (www.immub.org.br) traz, agora, uma ferramenta interativa para permitir que os usuários adicionem facilmente ao acervo, músicas e a ficha técnica de discos, antigos ou lançamentos.

“Com mais de 80 mil discos catalogados, a caça àqueles que faltam vira uma espécie de álbum de figurinhas. O objetivo é detectar os mais difíceis de encontrar e completar a coleção”, brinca o produtor cultural, radialista e presidente do IMMuB, João Carlos Carino. “Todo o material recebido passará por validação antes de aparecer, assim garantimos a credibilidade do banco de dados”, comenta.

Foto de Alinne Ourique

João Carino e Luiza Carino em foto de Alinne Ourique

Outra novidade é o portal de notícias, reunindo conteúdos exclusivos de sete colunistas: o jornalista Tárik de Souza (Supersônicas), o músico e professor Henrique Cazes (Um papo com o Cazes), o historiador André Diniz (A Música Popular na República), a jornalista e fotógrafa Monica Ramalho (Som da Meia-Noite), o poeta e compositor Paulo César Feital (Fábrica de Orvalho), o cantor e compositor Carlos Mauro (Todo Ouvidos) e o produtor musical Ricardo Moreira (Deusamúsica – Um olhar relativo sobre discos absolutos).

O site do IMMuB é considerado número um por todos os pesquisadores importantes da nossa música. Tárik de Souza, Hugo Sukman, Jairo Severiano, Alfredo Del Penho, Carlos Didier e Rodrigo Faour, por exemplo, consultam quase que diariamente o catálogo virtual do Instituto, formado por cerca de 30 mil LPs, 32 mil discos 78 RPM, 12 mil CDs, 7 mil compactos e mais de 100 mil músicas para ouvir e 25 mil capas, contracapas e encartes para consultar.

O Instituto elaborou uma série de vídeos com esses e outros pesquisadores a fim de promover o IMMuB nas redes sociais e guardar o seu devido valor para a posteridade, num movimento de conservação da memória que é a essência do trabalho da organização não governamental, sem fins lucrativos. “A tecnologia conspira a favor de quem tem conteúdo”, resume, num dos vídeos, o musicólogo Carlos Didier. “A preservação da música brasileira é a preservação da identidade nacional. O povo se enxerga através da sua música porque ela é o nosso melhor retrato”, diz o biógrafo de Noel Rosa e Orestes Barbosa.

O evento no Oi Futuro Flamengo será aberto ao público, com a presença das equipes de gravadoras e selos parceiros, como Warner Music, Biscoito Fino, Coqueiro Verde e Porangareté. O IMMuB também conta com apoio institucional do Instituto Moreira Salles (IMS), Museu da Imagem e do Som (MIS), Instituto Cravo Albin e PUC-Rio. “As parcerias são fundamentais para a continuidade do Instituto. É a partir delas que nos mantemos ativos nessa cadeia produtiva, que somos lembrados e convidados para participar de eventos e projetos”, afirma a diretora executiva do IMMuB, Luiza Carino.

A DJ Tata Ogan, do projeto “Vitrolinha”, foi a escolhida para discotecar nesta celebração. A noite terá pocket-shows dos cantores Moyseis Marques, Chico Chico e Aline Lessa, degustação das brasileiríssimas Noo Cachaçaria e Cervejaria Molotov, que criou uma cerveja exclusiva para o IMMuB, e sorteios de discos. Tudo de graça e conduzido pelo jornalista e empreendedor Leo Feijó.

Mais de 80 mil discos catalogados
O Instituto Memória Musical Brasileira foi fundado há 11 anos, em Niterói, com a missão de documentar, catalogar e divulgar o acervo musical brasileiro. O site do Instituto é considerado número um por todos os pesquisadores importantes da nossa música, que visitam quase que diariamente o seu catálogo, formado por mais de 80 mil discos, sendo cerca de 30 mil LPs, 32 mil discos 78 RPM, 12 mil CDs, 7 mil compactos e mais de 100 músicas para ouvir e 25 mil capas, contracapas e encartes para consultar. São mais de 500 mil fonogramas de, aproximadamente, 90 mil compositores e intérpretes que o tornam um dos maiores arquivos digitais de informações, sons e imagens da discografia brasileira, disponível na web para consultas gratuitas.

O Oi Futuro Flamengo fica na Rua Dois de Dezembro, 63, no Flamengo, Rio de Janeiro.

maio
09

Duas fotógrafas cariocas, Kitty Paranaguá e Ana Carolina Fernandes, vão inaugurar as suas exposições dentro do FotoRio 2017 no mesmo dia e espaço: 17 de maio, às 18h, no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF). Outras mostras também serão abertas nesta data, mas “Campos de altitude”, da Kitty, e “Os veios abertos da Baía de Guanabara”, da Ana Carolina, dialogam intimamente porque ambas revelam um lado sofrido do Rio de Janeiro. Os ensaios são completamente diferentes, mas se conectam por denunciar a cidade cartão postal em colapso com duas coleções de imagens belíssimas. A entrada é grátis!

Foto de Kitty Paranaguá

Foto de Kitty Paranaguá

O processo da Kitty, que subiu favelas por cerca de um ano e meio – sempre receosa com o formato do seu tripé, que poderia facilmente ser confundido com um fuzil – era clicar as paisagens, encontrar os personagens pelo caminho e, depois, entrar na casa dos moradores, onde projetava as paisagens no seu interior e retratava os seus novos amigos de uma forma poética, que mistura as realidades em camadas. Quinze deles foram escolhidos para ganhar as paredes do CCJF, em ampliações quadradas de um metro, com curadoria de Diógenes Moura.

“Fiz esse ensaio inspirada no fotógrafo italiano Abelardo Morell, entre o final de 2014 e o início de 2016. Ou seja, na hora certa. Com essa crise na segurança da cidade, ficaria apreensiva de subir osmorros hoje”, desafaba Kitty. Pavão Pavãozinho, Complexo do Alemão, Providência, Tavares Bastos, Chapéu Mangueira, Cantagalo, Vidigal, Rocinha e Mata Machado foram algumas das comunidades que ganharam novos contornos através do seu olhar, que incluiu cerca de 20 moradores, de crianças a idosos.

Os “Campos de altitude” que nomeiam a mostra remetem às regiões propícias ao que os botânicos definem como “relíquias de vegetação” por se tratarem de plantas raras e isoladas em um contexto distinto da flora dominante. Um belo título para destacar as histórias dessa gente obstinada que Kitty desbravou e registrou em áudio nas suas visitas. A ideia é disponibilizar trechos dessas conversas para que o público também conheça um pouco da vida dos retratados.

Foto de Ana Carolina Fernandes

Foto de Ana Carolina Fernandes

Já o nome da exposição de Ana Carolina Fernandes, “Os veios abertos da Baía de Guanabara” parafraseia o título da obra-prima “As veias abertas da América Latina”, de 1971, do escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). As imagens aéreas foram feitas em algumas horas de sobrevoo de helicóptero pela Baía, ao lado do biólogo Mário Moscatelli, um nome sempre lembrado quando a pauta é a poluição das águas cariocas.

Ana Carolina vai expor onze imagens em grande formato no FotoRio, uma delas ocupará uma parede inteira, 3,65cm por 2,75cm. As fotos são magnéticas. “Essa é uma exposição de fotos-denúncia. Apesar da beleza apocalíptica das imagens, o que está ali é o resultado da falta de saneamento básico de milhões de pessoas e quase 500 milhões de litros de esgoto in natura despejados na Baía de Guanabara todos os dias”, ataca.

Ela cita a historiadora Maria Clara Rabelo para confirmar a exploração desde sempre da Baía, originalmente povoada pelos Tamoios. “Foi a partir do período colonial brasileiro, no entanto, que a Baía de Guanabara começou a passar por grandes transformações”, ensina a historiadora. Usado como marina portuguesa, depois foi aterrado para se transformar no Porto do Rio. Paradoxalmente, “as mesmas riquezas naturais que facilitaram a ocupação da região, foram sendo destruídas nesse processo e, hoje, correm o risco de desaparecer. O esgoto é o maior poluidor dos rios e da Baía propriamente dita”, diz o texto.

Há muito tempo, Kitty Paranaguá e Ana Carolina Fernandes esbarram as suas objetivas por aí e planejam fazer um trabalho realmente juntas. A Galeria Oriente, vinculada ao Ateliê Oriente, do qual Kitty é sócia, está preparando a exposição “As Marianas”, com trabalhos das duas e da também fotógrafa Ana Kahn sobre outra cidade e outro desastre: Mariana, que virou lama após o rompimento de uma barreira da Samarco, em 2015. “As imagens que mobilizam a consciência estão sempre ligadas a determinada situação histórica”. Susan Sontag (1933-2004) ecoa.

O Centro Cultural Justiça Federal – Av. Rio Branco, 241, no Centro do Rio.

maio
09

A cantora e compositora paulista Verônica Ferriani traz ao Rio de Janeiro o show “De Boca Cheia”, baseado no disco autoral “Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio”. Neste, que é seu segundo álbum, aborda o mais universal dos temas – o amor – sob uma ótica contemporânea feminina, original e sincera. O próximo show será no dia 11 de maio, quinta-feira, dentro da série ‘Quintas no BNDES’. De graça!

Foto de Patrícia Ribeiro

Foto de Patrícia Ribeiro

Verônica se apresentou e realizou turnês com grandes nomes da MPB – Toquinho, Ivan Lins, Beth Carvalho, Mart’nália, Moacyr Luz e Criolo, dentre outros. Com o show “De boca cheia”, circulou por 60 cidades e 13 países, trazendo canções de poesia profunda e som dançante, em formato de quinteto, e está perto de completar 100 apresentações.

“O disco nasceu do desejo e da coragem de sair da zona de conforto. Ao mesmo tempo, de buscar um universo familiar e mais pessoal como intérprete, falando inclusive na condição de mulher no século XXI. Sempre gostei de escrever e desde criança tive por perto o violão, mas só mergulhei na composição neste trabalho. Com três anos de tour, os maiores ganhos estão na cumplicidade da banda e a intimidade com o repertório”, explica a cantora.

No palco, Verônica exprime o que sente e pensa espontaneamente, e envolve o ouvinte com sua interpretação incendiada e voz arrebatadora, conduzindo-o pelas mais diversas emoções. Mistura linguagens musicais para criar canções capazes de agradar às mais variadas faixas de público.

“Minha música deseja comover. É o que me permite ter cantado samba nas quebradas e quadras mais raiz do Rio e de São Paulo, depois ter gravado um disco todo inédito, em parceria com Chico Saraiva, com músicas que têm referências quase eruditas para a música popular de hoje, e, ainda, lançar um álbum autoral, em que duas guitarras, baixo e bateria embasam e representam uma força interpretativa que sempre valorizei e busquei no palco”, diz a artista.

A tônica do trabalho pode ser traduzida pela canção que abre álbum e show: “Estampa e só”. Intensa, nasceu de um samba partido alto e recebeu influências de música paraense, funk e cumbia. Na letra, sobre o fim de um relacionamento, Verônica, resiliente, dá o recado “Só mais um triste fim, eu sei cuidar de mim”, e renasce sobre lindo arranjo de cordas e metais.

Ainda estão no roteiro a sua “Zepelins”, na qual canta a poesia que é se jogar no desconhecido, fazendo contraponto entre a dureza de certos momentos e a imagem do sol como guia para dias melhores; “Não é não”, que salpica um clima tropicalista ao álbum, claramente representado nos arranjos, na guitarra flamejante de Guilherme Held e na sua letra bem-humorada, e “De boca cheia”, a letra mais passional do disco que nomeia o show.

No BNDES, Verônica Ferriani (voz e composições) estará acompanhada por nomes de destaque no cenário musical paulista: Marcelo Cabral (também coprodutor do álbum e diretor musical do espetáculo) no baixo, Guilherme Held na guitarra, Rodrigo Campos na guitarra e no violão, Sergio Machado na bateria, Paulinho Fluxus na luz e Daniel Tápia no som.

Sobre Verônica Ferriani
Verônica Ferriani estreou como cantora em 2004, a convite do compositor e violonista Chico Saraiva, vencedor do Prêmio Visa do ano anterior. De lá para cá, dividiu palcos com Beth Carvalho, Ivan Lins, Mart’nália, Spokfrevo Orquestra, Jair Rodrigues, Francis Hime, Martinho da Vila, Tom Zé, Élton Medeiros, Moacyr Luz, Moska, Oswaldinho da Cuíca, Maria Alcina, Criolo e Zé Renato, entre muitos outros. Em 2011, excursionou em turnê voz e violão com Toquinho.

Reconhecida intérprete da nova geração, Verônica lançou o seu primeiro disco em 2009, com repertório baseado na regravação de canções lado B de nomes como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e João Donato. No mesmo ano, gravou o projeto coletivo “Sobre Palavras”, com músicas de Chico Saraiva e letras de Mauro Aguiar. Integrou a Gafieira São Paulo, vencedora do 22º Prêmio da Música Brasileira como melhor grupo de samba, em 2011. Em 2012, foi convidada para participar do Projeto Novas Vozes do Brasil, promovido pelo Itamaraty, e se apresentou em países como Colômbia, Portugal, Espanha, Rússia e Japão.

Nos últimos anos, a reaproximação com o violão e a escrita a provocaram a criar o universo das composições de seu disco autoral “Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio”, produzido por Marcelo Cabral e Gustavo Ruiz. Na turnê que passou por 60 cidades em 13 países, o álbum se desdobrou no show “De boca cheia”, que será apresentado para o público carioca, no BNDES, na Avenida República do Chile, 100, Centro, perto do Metrô Carioca.

abr
24

Vamos começar o segundo trimestre do ano estudando aquilo que nos dá tanta alegria? Em abril e maio, o Ateliê Oriente vai oferecer dois cursos preciosos e seis workshops sortidos para profissionais e amadores. Nas noites de terça-feira, de 25 de abril a 30 de maio, Andreas Valentin vai usar o seu conhecimento para mergulhar em acervos pessoais, como fotografias, documentos, filmes e cartas, e reconfigurá-los em uma proposta artística.

Duas duplas prometem instigar o paladar e a criatividade das turmas: Ricardo Pimentel e Alex Jorge querem dar aos alunos experiências básicas no WS “Fotografia e produção na gastronomia japonesa”, nos dias 25, 26 e 27 de abril; e Cristina de Middel e Bruno Morais pretendem traduzir as histórias de cada participante em imagens no “Processos Criativos: do conceito ao compartilhamento”, nos dias 28, 29 e 30 de abril.

A segunda turma do “Curso Fotografia Iniciante” está prevista para se desenvolver nas segundas, terças e quintas, à noite, entre os dias 2 e 30 de maio. Os professores são os “orientes” Ana Dalloz, Kitty Paranaguá, Paulo Marcos e Thiago Barros, sócios do espaço, já conhecido ponto de difusão da fotografia na cidade.

Parto da Ana Lemos

Saídas fotográficas, tratamento no Lightroom e parto natural
Quem fotografa precisa dominar a luz artificial e saber editar o material produzido. Reinaldo Hingel vai mostrar os segredos da iluminação no “Introdução ao flash dedicado”, nas manhãs dos dias 9 e 11 de maio. Victor Naine voltará à casa para ensinar a editar imagens no “Tratamento em Lightroom e Workflow: técnica e estética” entre os dias 3 e 24 de maio. Dois workshops fundamentais!

O curso “Práticas Fotográficas” será um achado para quem já fotografa e quer avançar sob a supervisão dos mestres Kitty Paranaguá e Paulo Marcos, entre os dias 6 de maio e 8 de julho. Já Débora Amorim virá de Brasília para ministrar pela primeira vez no Rio de Janeiro o WS “Fotografia de parto – Gesto natural”, nos dias 19, 20 e 21 de maio. O parto é um dos momentos mais sublimes na vida e a presença de um fotógrafo nesse momento deve ser leve e contribuir para a harmonia do ambiente. A prática com um casal grávido vai incrementar esses encontros.

O endereço é Rua do Russel, 300 / 401, na Glória. Os workshops listados acima custam de R$ 240 a R$ 1.000. A partir do segundo workshop, o Ateliê Oriente dará 10% de desconto! Escolha um, ou vários, e inscreva-se por telefone (21) 3495.3800 ou pelo site www.atelieoriente.com, que reúne todas as informações dos cursos e workshops!

 

mar
17

Entre os dias 24 de março e 28 de maio, o Museu Histórico Nacional vai estender a canga e abrir o guarda sol para receber a exposição “Quando o mar virou Rio”. A mostra foi idealizada e produzida pelo estúdio M´Baraká e pela produtora Logorama, com patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura por meio da Lei Municipal de Incentivo a Cultura – Lei do ISS, e da Multi Terminais, copatrocínio da E.T.T. First RH e a Shift Gestão de Serviços e apoio do Control Lab e do Consulado Francês.

Ao todo, serão 130 obras, entre gravuras, fotografias, instalações e pinturas, de 25 artistas, organizadas em nove temas que resgatam a história da relação dos moradores do Rio de Janeiro com a praia – desde a origem, quando os médicos receitavam banhos de mar para curar doenças de pele ou respiratórias, até os dias atuais, incluindo a moda, os esportes e o ideal de carioquice que ganhou fama no mundo inteiro.

Júlio Bittencourt | Piscinão de Ramos

Júlio Bittencourt | Piscinão de Ramos

“O mar, em sua imensidão, sempre estimulou a imaginação humana e trouxe o medo do desconhecido, gerando uma infinidade de lendas que afastavam o homem do oceano. Foi apenas na Idade Moderna que o mar deixou de ser concebido como um caótico berço de mistérios incompreensíveis. A força de um mito está em seu potencial de parecer que sempre existiu. O banho de mar e a cultura de praia estão tão associados ao Rio de Janeiro que nem parecem ser hábitos recentes, com cerca de 100 anos”, dispara Isabel Seixas. Ela, Diogo Rezende e Letícia Stallone são os curadores da mostra e formam o coletivo Curatorial do estúdio M´Baraká.

A partir do batismo da cidade, quando os portugueses, por engano ou peculiaridades linguísticas, entenderam a baía (de Guanabara) como um rio, desenrolou-se uma narrativa que comprova que, apesar de chamada Rio, a cidade é abraçada pelo mar. “Quando o mar virou Rio” conta muito bem essa história, com o auxílio de artistas de diferentes épocas e técnicas, associados a conteúdos multimídias, objetos e imagens de acervo que foram encontrados em pesquisas iconográfica e histórica, feitas nos últimos três anos.

Augusto Malta | Copacabana Palace

Augusto Malta | Copacabana Palace

Uma parte significativa dessa coleção veio de acervos: 11 artistas e 24 obras são do próprio Museu Histórico Nacional; 26 obras das coleções dos fotógrafos Augusto Malta (1864-1957) e Alair Gomes (1921-1992) pertencem à Biblioteca Nacional; e há mais 5 imagens do Augusto Malta que compõem o acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS). Malta retratou a evolução urbana da cidade pelo prefeito Pereira Passos, nas primeiras décadas do século XX, e Alair foi o precursor da fotografia homoerótica, voyerística, a partir do final dos anos 60. Além disso, há outros 10 artistas contemporâneos com cerca de 70 trabalhos expostos.

“A curadoria gosta de pensar que a exposição é uma ode ao movimento da cidade, que começa com a vinda dos primeiros índios que buscavam a terra sem males, passa pelos navegantes portugueses e é porto de partida e chegada de produtos, pessoas e influências de além mar, até quando o Rio se volta literalmente para a praia, desaguando numa paixão do carioca por ocupar a orla de diferentes maneiras”, aponta o curador Diogo Rezende.

Para Letícia Stallone, também curadora, a mostra “apresenta parte da história dessa cidade, conhecida no mundo inteiro como Rio, mas que tem uma trajetória tão entrelaçada ao mar que a sua própria identidade está vinculada à imensidão da água salgada, ao sol, à areia e tudo que pertence a esse ambiente. Tudo isso num mesmo gingado que a gente que se mete nessa geografia acaba adquirindo”.

“Apoiar a cultura é servir ao próximo. Nós, da E.T.T. First RH e da Shift Gestão de Serviços, administramos os nossos negócios com muita seriedade e acreditamos que as pessoas que consomem cultura têm mais ferramentas para serem profissionais melhores. Somos cariocas de nascimento e a nossa história está mergulhada nas águas e baseada nas terras que a exposição ‘Quando o mar virou Rio’ revisita”, exulta o diretor Guilherme Paletta.

Fotos raras de Genevieve Naylor e outros achados
Um dos pontos altos da mostra são as duas fotografias raras da americana Genevieve Naylor (1915-1989), que foi contratada pelo governo de Franklin Roosevelt nos anos 40 para criar uma imagem de Brasil bem aceita nos Estados Unidos. Ela se encantou pela cultura brasileira e voltou para casa com mais de 1300 fotos incríveis, retratando o cotidiano da Praia de Copacabana, por exemplo, que vivia o seu auge. As imagens foram cedidas pelo seu filho e são praticamente desconhecidas aos olhos do público.

Rogério Reis | Surfistas de Trem

Rogério Reis | Surfistas de Trem

Há obras importantes de artistas atuantes. Rogério Reis foi convidado a participar com os ensaios Surfista de Trem e Ninguém é de Ninguém. O primeiro, de 1989, mostra o esporte radical praticado por jovens nos trens do subúrbio do Rio. O segundo, realizado entre 2010 e 2014, faz as vezes de um manual de como fotografar na praia, trazendo à tona as questões que cercam os direitos de imagem. Bruno Veiga terá um painel inédito com os seus recortes aéreos das Pedras Portuguesas dos calçadões. E quatro fotos dos ensaios que Júlio Bittencourt fez do Piscinão de Ramos nos verões de 2008 a 2010 também estarão na parede do Museu Histórico Nacional.

Já os artistas Gisela Motta e Leandro Lima deram vida à fotografia em preto e branco de uma maloca Yanomâmi incendiada na Amazônia, feita por Claudia Andujar em 1976, na vídeo instalação Yano-a, de 2005, que traz uma memoria relativa ao extermínio do povo indígena na lendária batalha de Estácio de Sá, à beira da baía, quando centenas de aldeias foram incendiadas. O coletivo OPAVIVARÁ! apresentará a obra EU ♥ CAMELÔ, que exalta este devir camelô que se esgueira nas areias escaldantes, fugindo e apanhando da lei enquanto refresca a sede do PM, do gringo e do playboy.

Laercio Redondo | Paisagem Impressa

Laercio Redondo | Paisagem Impressa

Um outro grande destaque da mostra é a obra Paisagem Impressa, do brasileiro radicado na Suécia Laércio Redondo, com gravuras do francês Jean Baptiste Debret (1768-1848) sobre o Rio de Janeiro do seu tempo. Em cada um dos 77 bancos há livros e textos que representam, na visão dos convidados do artista, uma paisagem contemporânea dessa cidade maravilhosa, que relaxa nos finais de semana nas areias, ao sabor das ondas tropicais.

Artistas contemporâneos: Alexandre Voegler, Benoit Fornier, Bruno Veiga, Gisela Motta e Leandro Lima, Júlio Bittencourt, Laércio Redondo, Marco Antonio Portela, OPAVIVARÁ, Rogério Reis e Tito Rosemberg.

Artistas de acervos (Museu Histórico Nacional, MIS, Biblioteca Nacional e particular): Alair Gomes, Augusto Malta, Eugene Cicere, Frederico Salathé, Genevieve Naylor, João Steinmann, José Silveira d’Avila, Juan Gutierrez, Leon Jean Baptiste Sabatier, Louis Lebreton e William Burchell.

“Quando o Mar virou Rio” é uma realização do estúdio M’Baraká e da Logorama em correalização do Museu Histórico Nacional, Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ministério da Cultura e Governo Federal.

Serviço:.
QUANDO: de 24 de março a 28 de maio de 2017
ONDE: Museu Histórico Nacional – Praça Marechal Âncora, s/nº, Centro
QUANTO: R$ 10 (inteira) | R$ 5 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)
E MAIS: Aberto para visitação de terça a sexta, das 10h às 17h30; aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h

jan
09

De vento em popa em seus propósitos, o Ateliê Oriente vai realizar três workshops para abrir 2017 com o clique direito. Profissionais, estudantes e até mesmo leigos são bem vindos nas salas de aula aconchegantes do espaço, já conhecido ponto de difusão da fotografia na cidade.

Nos dias 17 e 19, Fabio Seixo vai ensinar a criar vídeos com uma linguagem própria no curso “Produção de vídeos para a web”; nos dias 21 e 22, será a vez de Custodio Coimbra compartilhar a sua experiência no fotojornalismo com a segunda turma do curso “Levantando a Máquina – Fotografia e Ousadia” (abaixo, um registro foto da primeira turma, realizada em novembro último); E nos dias 27, 28 e 29, a dupla Marcos Bonisson e Joaquim Paiva vai orientar os participantes com seus projetos artísticos de toda a ordem no curso “Processos criativos em imagens”.

Primeira turma do Custodio Coimbra

“A ideia é estar sempre criando possibilidades para os alunos ampliarem os seus conhecimentos técnicos e, ao mesmo tempo, refletirem sobre a fotografia, dando consistência para o desenvolvimento de trabalhos pessoais”, diz Kitty Paranaguá, sócia de Paulo Marcos M. Lima, Ana Dalloz, Marco Antonio Portela e Thiago Barros no Ateliê.

O Ateliê Oriente fica na Rua do Russel, 300 / 401, na Glória. Os workshops do mês custam de R$ 240 a R$ 440 e as inscrições podem ser feitas por telefone (21) 3495.3800 ou pelo site www.atelieoriente.com

PROGRAMAÇÃO DE JANEIRO:.

  1. Produção de Vídeos para a Web, com Fabio Seixo

Dias 17 e 19 de janeiro
Quinta e sexta, das 18h às 22h
Carga horária: 8h
Investimento: R$ 240

Cada vez mais, o vídeo ocupa espaço na web, o fluxo de imagens em movimento vai dobrar ou mesmo triplicar em poucos anos. Como um fotógrafo pode começar a produzir vídeos e criar uma linguagem própria nessa nova realidade. Neste workshop veremos como capturar imagens e áudio de qualidade com câmeras DSLR, quais são os principais equipamentos a se investir e, principalmente, como construir uma narrativa e uma linguagem visual. Veremos também, como é possível fazer isso tudo sozinho, com pouco equipamento e muita agilidade. Pequenos vídeos como minidocs e webseries, estão ajudando as mídias editoriais e migrar do papel para a web, criando todo um mercado para fotógrafos e produtores independentes.

  1. Levantando a Máquina – Fotografia e Ousadia, com Custodio Coimbra

Dias 21 e 22 de janeiro
Sábado, das 9h às 18h, e domingo, das 9h às 13h
Carga horária: 11h
Investimento: R$ 440

‘Levantando a Máquina – Fotografia e Ousadia’ é o tema do encontro de um fim de semana com Custodio Coimbra, que elege a rua como palco e objeto da exploração fotográfica. A dinâmica começa com a projeção e a leitura crítica do ensaio ‘Retalhos do Rio’, reunindo uma centena de fotos produzidas por Custodio nos últimos 30 anos, que revelam a cidade em sua diversidade. Em foco, composição, valorização dos elementos, diagonais e sujeitos. Custodio abordará a hora da espera, da aproximação, a agilidade e a atenção à sincronicidade da cidade em movimento. O workshop inclui o acompanhamento em uma saída fotográfica. As fotos dos participantes serão depois analisadas em grupo, levando em conta conteúdo, estética, estilo e técnica de cada um.

É fundamental possuir conhecimentos básicos de fotografia e domínio dos recursos da câmera, além de uma câmera digital, com controles manuais e um pen-drive para levar as fotos que serão produzidas.

Dinâmica
Projeção e leitura crítica do ensaio Retalhos do Rio no sábado, das 9h às 12h, uma hora para almoço e saída fotográfica, em local a ser decidido pelo grupo, das 14h às 18h. Análise das fotos produzidas pelos participantes no domingo.

  1. Processos criativos em imagens, com Marcos Bonisson e Joaquim Paiva

Dias 27, 28 e 29 de janeiro
Sexta, das 19h às 21h30, sábado, das 10h às 16h (pausa de 1h30 para almoço) e domingo, das 15h às 17h (opcional)
Carga horária: 9h
Investimento: R$ 390

O workshop ‘Processos criativos em imagens’ visa a contextualizar os múltiplos meios que artistas visuais utilizam na fotografia como suporte. Objetivamos, em caráter imersivo, orientar os participantes com seus projetos e dúvidas, independentemente do estágio em que o trabalho se encontre. O workshop dará ênfase à poética de um cotidiano que pode articular fiapos, fragmentos, digressões e vivências, como um exercício experimental de invenção.

Dinâmica
Sexta-feira: Apresentação do workshop, projeção de imagens e experiências dos orientadores na sexta, leitura de Portfolios e Orientação de Trabalhos no sábado e visita (opcional) à exposição “Em Polvorosa”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), com Marcos Bonisson e Joaquim Paiva.

 

Monica Ramalho

Monica Ramalho

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