Posts em ‘Belmira Comunicação’

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16

De agosto a dezembro, o Oi Futuro em Ipanema promoverá o ciclo de encontros mensais Do Sulco ao Bit que, como o próprio nome sugere, parte das gravações em sulcos dos discos de acetato em 78 rpm até os bits digitais. O projeto vai delimitar alguns subperíodos importantes dessa trajetória, mostrados sob a ótica de especialistas e pesquisadores, como Silvio Essinger, Henrique Cazes, Nei Lopes e Ruy Castro, e interpretados por Soraya Ravenle, Época de Ouro, Pedro Paulo Malta e Zé Paulo Becker, entre outros. A produção é do Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB), com patrocínio da Oi, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura, da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro e apoio cultural do Oi Futuro. A entrada será gratuita.

alfredo

Em todas as edições haverá dois especialistas, um mediador e cantores, músicos e DJs convidados para ilustrar musicalmente o tema em pauta. O primeiro será “Do vinil ao download”, no dia 17 de agosto, às 19h30, com Fred Coelho, Hugo Sukman e a participação especial de Alfredo Del Penho (em foto de Leo Aversa).

A dupla de pensadores revisitará a história de todas as mídias, desde a chegada do disco ao país. Curiosidades sobre as primeiras gravações, como o disco de 76 evoluiu para 78 rpm, a explosão da venda dos gramofones e, depois, das vitrolas, e a música digital que nasceu junto com os anos 90. O cantor e compositor Alfredo Del Penho fará uma participação especial, ilustrando trechos de músicas que marcaram todo esse período, até hoje, com a força da Internet e a circulação sonora através do download.

“Com esse projeto, Do Sulco ao Bit, desejamos identificar, valorizar e resgatar partes da memória musical brasileira que nem sempre estão em evidência, facilitando o acesso e reconhecimento do vasto patrimônio musical nacional. Também queremos possibilitar que historiadores, artistas e especialistas expressem as suas visões sobre cada um desses períodos, além de abrir espaço para o debate e a troca de conhecimento com o público”, diz o produtor cultural e presidente do IMMuB, João Carino.

Este ciclo integra o calendário de eventos comemorativos pelos dez anos do IMUMuB, organização voltada para a pesquisa e a preservação da memória musical brasileira. O Instituto já mapeou e catalogou mais de 81 mil discos produzidos no país, o equivalente à cerca de 800 mil fonogramas, reunindo cerca de 90 mil compositores e intérpretes. A catalogação abrange toda a história da música brasileira, desde a primeira gravação em 1902 até os lançamentos recentes. O acervo segue em constante expansão, recebendo mensalmente centenas de discos, capas e músicas. O banco de dados está disponível no portal <www.immub.org.br> para consultas gratuitas.

Até dezembro, o ciclo visitará mais quatro temas: “Do samba à bossa nova”, no dia 14 de setembro; “­Do maxixe ao funk”, em 5 de outubro; ­“Do choro à eletrônica”, no dia 16 de novembro e “Da rádio à web”, em 14 de dezembro. O Oi Futuro fica na Rua Visconde de Pirajá, 54, em Ipanema. Informações pelo (21) 3131.9333. Todos os encontros serão gratuitos!

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01

Vêm aí o segundo espetáculo gerido dentro do projeto de Residência de Montagem de Espetáculo, realizado na Cia. Up Leon. Desta vez, o Anima Circ mostrará as suas habilidades no “Metaesquema”, livremente inspirado nas obras de Hélio Oiticica (1937-1980). A montagem se adianta às comemorações dos 80 anos de nascimento do pintor, escultor e artista plástico, e dos 50 anos da Tropicália, a serem completados em 2017. Hélio é autor do penetrável Tropicália, que batizou o movimento artístico do qual ele foi um dos criadores. Toda essa herança cultural ganhará releitura circense no “Metaesquema”, que será apresentado nos dias 6 e 7 de agosto, sábado e domingo, às 19h, na Arena Carioca Dicró, na Penha, com entrada gratuita.

Foto Micael Bergamaschi“O espetáculo é todo baseado na arte do Hélio Oiticica e a temática de fundo é a Tropicália. Temos muita cor nos figurinos e nos adereços. Hélio fazia de tudo para que o visitante travasse uma experiência sensorial com as suas criações e trouxemos isso para o ‘Metaesquema’. Há um momento em que o público participa da cena puxando uma corda que faz com que a acrobata gire com muita graça, feito um pião. Também nos preocupamos em criar essa interação sem a plateia pagar mico. Tudo é feito muito naturalmente, da própria cadeira, e dá um efeito bonito e divertido na cena”, explica o diretor artístico convidado e profissional de circo Gabriel Jacques.

Gabriel está sendo um importante parceiro nessa etapa da Up Leon, há 25 anos em atividade e escolhida em 2015 para ser um dos quatro Polos Cariocas de Circo, iniciativa da Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura a fim de fomentar a arte circense na cidade. Segundo ele, o cenário de “Metaesquema” reproduz seis obras de Hélio Oiticica, entre elas um parangolé, dois penetráveis e uma caixa amarela. Entre os dez números de circo apresentados, estão canastilhas, corda acrobática, lira, báscula e trapézio, por exemplo. É uma alegria para os olhos, assim como a obra do artista.

Para a Anima Circ, a estreia é um marco. “Já fizemos dois espetáculos amadores e este é o primeiro profissional, com equipe, trilha sonora e tudo bonitinho”, comemora Jonathan Rodrigues, o capitão desta nau, formada por 13 jovens de 18 a 31 anos, advindos da ONG Ação Comunitária de Apoio Psicossocial (Acaps – Dirce Galvão), um projeto que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na Favela do Aço, em Santa Cruz. Jonathan tem 29 anos e se dedica a cuidar dessa garotada. Disse que viu muitos talentos deixarem o circo por falta de verba. “As famílias reclamavam e eles saíam para procurar emprego. É uma felicidade fazer parte do Polo Carioca de Circo e, ainda mais, com a Up Leon, que conheço há anos porque a minha irmã já foi acrobata da companhia”, recorda.

“A oportunidade de trabalhar com uma companhia jovem com tanta vontade de fazer bonito está sendo uma experiência enriquecedora para a nossa equipe. O desafio de trazer o universo do Hélio Oiticica para o picadeiro nos ajudou a perceber o quanto as artes brasileiras se misturam o tempo todo. Isso sem falar na importância de relembrar o valor de um artista que deixou a sua marca bem impressa no mundo”, comenta Olga Dalsenter, diretora da Cia. Up Leon.

A Arena Dicró fica no Parque Ary Barroso, na Penha.

ago
01

O violonista e compositor Marcel Powell, filho de um dos gênios do violão brasileiro, Baden Powell vai dedilhar os sucessos do pai e receber o Troféu Beco das Garrafas em sua homenagem. Com seis álbuns lançados e alguns troféus, entre eles o Prêmio Rival Petrobras de 2006 na categoria ‘Melhor Instrumental Solo’, o herdeiro apresentará o show “Só Baden” no Beco das Garrafas no sábado, 6 de agosto, às 21h, com ingressos a R$ 40.

marcel powellNo roteiro, clássicos como “Berimbau”, “Samba em Prelúdio”, “Astronauta” e “Tempo Feliz” (todas de Baden e Vinicius de Moraes, o seu parceiro mais frequente, com quem compôs os Afro-sambas que são um capítulo à parte no cancioneiro do nosso país). Esse formato intimista de violão solo, permite que o músico conte histórias da infância e curiosidades sobre o repertório escolhido para a homenagem.

“Ele sempre me ensinou a ser um músico disciplinado. Uma coisa que ele dizia sempre é que o músico, para dominar o instrumento, tem que ser escravo dele. Tem que estudar todos os dias, até o final da vida, não importa quanto tempo tenha de carreira. Ele mesmo passava quatro, cinco horas diárias abraçado ao violão. Levo isso comigo e coloco em prática mais esse ensinamento do meu pai”, conta Marcel.

Baden Powell nos deixou em setembro de 2000, aos 63 anos, e é um nome fundamental para se entender a história da música popular brasileira, em especial do violão como é tocado por aqui. Ao todo, 20 artistas que escreveram a história da bossa nova serão homenageados até dezembro com essa série de shows em Copacabana, batizada Troféu Beco das Garrafas e patrocinada pela Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do Instituto João Donato.

Os homenageados – ou seus representantes convidados, já que alguns não estão mais conosco – serão chamados ao palco para cantar e receber o troféu que nomeia o projeto, como reconhecimento pela obra que nos legaram. Em seguida, uma banda fará um set instrumental com o repertório do homenageado, transformando a noite numa grande jam session, na qual canjas serão bem vindas.

Alguns nomes muito bacanas vêm aí: Bebeto Castilho vai relembrar os tempos de Tamba Trio; Miúcha cantará mais uma vez as maravilhas do amigo Vinicius de Moraes, ao lado de Georgiana de Moraes, filha do Poetinha; e os sucessos de Elis Regina serão interpretados por Laila Garin, que lhe deu vida recentemente no teatro.

 

jul
08

“Hermínio Bello de Carvalho, aos 80: Uma Rosa Para o Poeta” é uma série de quatro shows temáticos e independentes, cada um apresentado por dois dias, em oito noites de música e cerca de 80 composições de Hermínio e parceiros. Tudo idealizado para comemorar o marco dos 80 anos de vida do poeta, compositor e produtor cultural que, há 60 deles, se dedica à nossa música popular. A homenagem será realizada em dois ciclos, de quinta a domingo: nos dias 14, 15, 16, 17 de julho e 21, 22, 23 e 24 do mesmo mês, às 19h, no Centro Cultural Correios, Centro do Rio. Ingressos a R$ 20.

Hermínio entre Zé Renato e Joyce
Oito intérpretes foram convidados para revisitar o cancioneiro de Hermínio. Alguns são amigos de vida inteira, outros buscam inspiração na sua música para cantar hoje. As duplas ficaram responsáveis por um recorte específico da vasta obra, ainda em construção, do poeta. São elas: Marina Íris e Marcos Sacramento, Áurea Martins e Alaíde Costa, Joyce Moreno e Zé Renato (em foto de Lucíola Villela), Gabi Buarque e Vidal Assis. Esta homenagem tem patrocínio dos Correios e produção da Olhar Brasileiro, de Luiz Boal, com produção executiva de Sonia Machado, coordenação editorial de Ana Claudia Souza, cenário e figurino de Ney Madeira e Dani Vidal. A assessoria é de Monica Ramalho, da Belmira Comunicação.

“Dirigir Hermínio é dirigir Quelé, Aracy, Paulinho da Viola, o Rosa de Ouro e a Verde-e-Rosa descendo o morro num chão de esmeraldas. É dirigir Elizeth, Zezé, Pixinguinha, Jacob e todos os chorões. É reler Mário de Andrade e a própria centralidade da ideia de política cultural. No entanto, para dirigir o Timoneiro, tem que topar a mesma sina dele: ser escravo das canções. Amar o velho e o novo com a mesma obsessão. É ser jovem aos 80, descobrindo e refazendo um Brasil em cada nova canção, em cada nova amizade”, enumera o diretor artístico Gustavo Guenzburger.

Esse clima de gratidão e amizade envolve toda a equipe. “Quando o Luiz Boal me convidou para fazer a direção musical desse projeto, não imaginei o grande desafio que seria. Mas conhecer a fundo e escrever arranjos da obra musical do Hermínio, meu amigo e parceiro há uns dez anos, está sendo também uma experiência maravilhosa e gratificante. Precisamos, cada vez mais, de figuras como ele. E que o sorte será ter o homenageado na plateia desses quatro shows!”, vibra Lucas Porto, violonista de sete cordas e diretor musical de “Hermínio Bello de Carvalho, aos 80 – Uma Rosa Para o Poeta”.

Pesquisar e elaborar os roteiros coube ao jornalista e cantor Pedro Paulo Malta. “Além de ouvir pilhas de discos e vasculhar livros e sites de referências em busca dos lados A, B e C do Hermínio, uma coisa que fez toda a diferença nessa pesquisa foi o acesso ao homenageado, que não só trouxe sugestões para os repertórios, como também questionou, ponderou (e, ufa!, avalizou) as seleções que fiz juntamente com o Gustavo e o Lucas. Tudo foi muito conversado e lapidado em conjunto, entre cafezinhos, quitutes, cervejas e visitas ao Hermínio. Espero que este clima chegue ao público”, celebra ele.

O que se ouvirá em cada noite é um painel afetivo da obra do Hermínio Bello de Carvalho como letrista. Estão lá as suas paixões: o Rosa de Ouro, a Mangueira, as grandes cantoras, a devoção por Pixinguinha e Jacob do Bandolim e os parceiros que ele segue multiplicando a todo vapor. Em cada show, entram em cena dois intérpretes especialmente escolhidos em função dos repertórios.

Programe-se:

Dias 14 e 15 de julho (quinta e sexta), às 19h:.
ROSAS: DE OURO E DA MANGUEIRA
Com Marina Íris e Marcos Sacramento

Este show tem como referência dois marcos fundamentais do início da carreira de Hermínio: o espetáculo Rosa de Ouro, responsável por revelar Nelson Sargento, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, e o Zicartola, polo cultural, gastronômico e musical, criado pelo compositor Cartola e sua mulher, Zica.

No roteiro, Alvorada” (com Cartola e Carlos Cachaça), “Chão de esmeraldas” (com Chico Buarque), “Cicatriz” (com Zé Kéti), “Mudando de conversa” (com Maurício Tapajós), “Pressentimento” (com Elton Medeiros), “Rosa de ouro” (com Paulinho da Viola e Elton Medeiros) e “Sei lá, Mangueira” (com Paulinho da Viola), entre outras.

Dias 16 e 17 de julho (sábado e domingo), às 19h:.
AS DIVAS DO POETA
Com Alaíde Costa e Áurea Martins

Homenagem às mulheres que encantaram o poeta, além das parceiras, como Sueli Costa, Dona Ivone Lara, Simone e Joyce. As cantoras têm papel fundamental na carreira de Hermínio, cuja obra foi imortalizada por interpretações inesquecíveis de Elizeth Cardoso, Zezé Gonzaga, Marlene e Alaíde Costa, por exemplo.

No roteiro, entre outras, “Camarim” (com Cartola), “Cobras e lagartos” (com Sueli Costa), “Fala baixinho” (com Pixinguinha), “Mas quem disse que eu te esqueço (com Dona Ivone Lara), “Monotonia” (com Célia Vaz) e “Sou apenas uma senhora que ainda canta” (com Radamés Gnattali)

Dias 21 e 22 de julho (quinta e sexta), às 19h:.
CHOROS E AMIGOS
Com Joyce Moreno e Zé Renato

O choro tem um lugar especial na obra de Hermínio. No terceiro show, são homenageados os parceiros chorões: dos ídolos Pixinguinha e Jacob do Bandolim a aprendizes contemporâneos, como o violonista e arranjador Mauricio Carrilho. Também são lembrados os parceiros póstumos, como Chiquinha Gonzaga, João Pernambuco, Ernesto Nazareth e Heitor Villa-Lobos.

No roteiro, estão garantidos “Amigo é casa” (com Capiba), “Atraente” (com Chiquinha Gonzaga), “Doce de coco” (com Jacob do Bandolim), “Escorregando” (com Ernesto Nazareth), “Estrada do sertão” (com João Pernambuco), “Mulher faladeira” (com os Maurício Carrilho e Maurício Tapajós), “Noites cariocas” (com Jacob), “Prelúdio da solidão” (com Villa-Lobos) e “Vou vivendo” (com Pixinguinha).

Dias 23 e 24 de julho (sábado e domingo), às 19h:.
TIMONEIRO DE NOVOS PARCEIROS E DE PARCEIROS NOVOS
Com Gabi Buarque e Vidal Assis

Incentivador de novos talentos, sem perder de vista a referência aos que abriam caminho no passado, Hermínio sempre esteve envolvido com iniciativas que permitissem ampliar o conhecimento da e sobre a música brasileira, renovando a sua força e afirmando a sua vitalidade. Neste show, são destacadas as parcerias com músicos de gerações mais jovens, como Vidal Assis, Lucas Porto, Fernando Temporão, Guilherme Sá e Kadu Mauad, além de parceiros marcantes, como o cantador paraense Vital Lima e o sambista carioca Moacyr Luz.

No roteiro, pérolas como “Meu vadio coração” (com Lucas Porto), “O samba é minha nobreza” (com Teresa Cristina e Luciane Menezes), “Pastores da noite” (com Vital Lima), “Quando o amor acaba” (com Moacyr Luz), “Penúltimo desejo” (com Vidal Assis) e “Timoneiro” (com Paulinho da Viola).


“Hermínio Bello de Carvalho, aos 80 – Uma Rosa Para o Poeta”, serviço

QUANDO: dias 14, 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de julho, sempre às 19h
ONDE: Centro Cultural Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro do Rio
QUANTO: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos
E MAIS: A casa dispõe de 199 lugares e a classificação é livre

jul
08

ThiagoThiagoEm comum, a música, acima de tudo, e a amizade, que faz com que a maioria dos encontros termine em música. O cantor e compositor Thiago Thiago de Mello (em foto de Louise Calixto) será o segundo dos três artistas selecionados por edital para levar os seus trabalhos no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF). Ilessi abriu a trilogia em maio e Luiza Borges a encerrará, em novembro. No dia 12 de julho, às 19h, será a vez de Thiago Thiago de Mello cantar o repertório do seu “Amazônia Subterrânea” para o público do Centro do Rio. Ingressos a R$ 30.

É um projeto para além do disco, que Thiago gravará ainda este ano – ele tem dois álbuns com a banda Escambo: “Flúor” (2009) e “Neón” (2013). Nascido no Leblon, cidadão do Humaitá, o professor investe tempo, pesquisa e criatividade nesta coleção há cerca de três anos e meio. “Comecei a compor de maneira mais consciente sobre a Amazônia, onde morei na infância e para onde retorno todos os anos. Passei a ouvir mais sistematicamente outros compositores de lá, enchi a minha casa de plantas… Mexer com a floresta é sintonizar com a espiritualidade e a gente muda no processo”, avalia.

Ele conta que fez mais de 40 músicas em 2014, uma produção incomum. “Abri um canal e, entrando na Amazônia, entrei na história da minha família. Fui na casa do meu pai e encontrei pastas com documentos. Comecei a ler cartas da minha avó para o meu pai, que está agora com 90 anos, do meu bisavô para o meu avô. São cartas escritas em 1904! Abria e pulavam traças e eu lia cada vez mais interessado naqueles assuntos todos, dos quais sou herdeiro. Virei madrugadas devorando esses registros e descobri, por exemplo, que muitos antepassados tiveram inclinações musicais. Foi o que me deu fôlego para aprimorar essa pesquisa”, diz, lembrando que “o Brasil não conhece o Brasil”, como cantava Elis Regina, e a Amazônia, pulmão do mundo, riqueza do nosso país, é desconhecida para a maioria dos brasileiros.

A música de Thiago se ocupa de dar possíveis respostas para questões elementares (e fundamentais), como: Quem somos nós? E para que estamos aqui? “Já existe uma geração trabalhando com esse tipo de música que a gente faz, na contramão do mainstream. É muito investimento, pouco retorno financeiro. A gente trabalha muito pra conseguir shows e tocar os nossos projetos. Mas ainda é muito desproporcional. A recompensa vem de outras formas”, pontua.

Talvez por isso, a vontade de imprimir um certo ritmo na propagação da sua música pelas redes, através da Rádio Chama – ele é integrante do Coletivo Chama –, e dos vídeos que vem publicando, desde janeiro, sempre na primeira quinta-feira de cada mês, nas suas páginas no YouTube e no Facebook. “A ideia veio a partir da experiência com os meus alunos, que assistem a milhares de vídeos curtos por dia, e, ao mesmo tempo, prestigiam os meus shows, prestam atenção nos artistas que indico. Já temos vídeos prontos para subir até setembro e estou adorando fazer isso”.

Para o show no CCJF, o artista separou 15 composições, entre elas “Vingança de cunhã”, gravada pela banda Pietá e por André Muato, “Certezas inacreditáveis”, que nomeará o segundo disco da Luiza Borges, a ser lançado ainda este (o primeiro, “Romanceiro”, é de 2012) e “Que nem Japiim”, as duas últimas, em parceria com Edu Kneip. Japiim tem um conceito interessante: É um pássaro que imita os sons de outros pássaros, cobras e onças, porque ele mesmo não tem um som original.

Faz parte desse processo de buscar a própria voz que aproxima os três jovens artistas. Neste show, Thiago Thiago de Mello será acompanhado por Bernardo Aguiar na percussão/eletrônicos ele também participou dos shows da Ilessi e está no próximo disco da Luiza) e Diogo Sili na guitarra elétrica (que toca violão no show da Ilessi).

Vem aí!
E para fechar o ciclo de apresentações dessa gente jovem, cabelo ao vento reunida, a cantora Luiza Borges apresentará o show “Certezas inacreditáveis” no CCJF nos dias 25 de outubro e 15 de novembro. Em breve, mais informações!

Thiago Thiago de Mello no CCJF, serviço

QUANDO: 12 de julho, terça-feira, às 19h
ONDE: Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) – Av. Rio Branco, 241, no Centro. A bilheteria funciona de terça a domingo, das 12h às 19h, e atende no: (21) 3261.2565
QUANTO: Ingressos a R$ 30 (inteira), com meia-entrada (R$ 15)
E MAIS: A casa dispões de 141 lugares e a censura é de 16 anos

jun
09

Concerto para Bebês é um projeto da Baluarte Cultura em parceria com o Quarteto Radamés Gnattali voltado para crianças de até 6 anos, moradoras de áreas pacificadas. A maioria, na certa, terá a sua primeira experiência com a música clássica, em repertório escolhido a dedo e interpretado pelo premiado Quarteto Radamés Gnattali. Ao todo, serão 16 apresentações gratuitas a serem realizadas em 8 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI) e Creches Municipais, da Prefeitura do Rio, patrocinadora através da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio da Gerência de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação.quarteto na peneira

Nesta primeira edição, os pequenos moradores do Anil, da Cidade de Deus, do Engenho Novo, do Complexo do Alemão, do Complexo da Maré, de Manguinhos e de São Carlos terão a oportunidade de assistir aos espetáculos, que devem ser vistos por cerca de 1500 crianças nos dias 13, 14, 15 e 17 de junho.

Com duração de cerca de 30 minutos, apontado como o tempo média de concentração nesta faixa etária, o Concerto para Bebês vai encantar a criançada em momentos lúdicos, elaborados com um cuidado especial: Perceber a reação da plateia. Os músicos estarão atentos à receptividade dos pequenos, e se moldarão às respostas do público mais sincero que um artista pode ter, aquele que só dança e sorri se realmente gostar do que ouve e vê. Essa interação foi pensada para que seja muito prazeroso esse contato inaugural dos bebês com a música de concerto.

“A oferta de projetos culturais focados na primeira infância ainda é muito pequena por aqui. As crianças não têm a oportunidade de ir a uma sala de concerto, pela exigência do silêncio. Estamos muito felizes de contribuir nesse sentido”, exulta Paula Brandão, sócia da Baluarte Cultura e mãe do Tito.

Para Carla Rincón, violinista do Quarteto Radamés Gnattali e mãe da duplinha Ílan e Emilia, “o mundo é decodificado pelos bebês pelos seus sons desde o útero materno. Diversas pesquisas feitas pelo mundo já confirmaram aquilo que a gente que é mãe vivencia na prática: A música tem influência significativa no desenvolvimento da criança. Tudo o que acontece em termos sonoros nessa primeira infância é muito importante para os nossos filhos”.

Villa-Lobos abre e pontua os concertos
O programa abre com a animada “Cantiga de roda” (Villa-Lobos), dos favoritos compositores do Quarteto Radamés Gnattali, emenda com a magistral “Guilherme Tell” (Rossini) avança para a lenta e delicada “Pavane” (Fauré) e repousa na cantiga de ninar “Canário” (Villa-Lobos). Em seguida, é a vez da instigante e misteriosa “Havanera de Carmen” (Bizet), que salta para “Atché” (Villa-Lobos) defendida no gogó pelos músicos.

As obras de Mozart são temas de pesquisas no mundo todo e os especialistas afirmam que as suas criações ajudam no desenvolvimento intelectual e criativo, sobretudo de bebês. “Pequena serenata noturna” (Mozart) traz de volta a concentração dos pequenos. Antes dos aplausos finais, o quarteto ainda faz ao vivo a emocionante “Peer Gynt” (Grieg), que vem sendo usada nos desenhos animados há décadas, e os acordes de “Oda à alegria” (Beethoven) entram para que a despedida seja naquele alto astral.

Dia 13 (segunda-feira):.
ANIL – EDI Norma Andrade Nogueira, às 8h30 e às 9h30
CIDADE DE DEUS – EDI Ana Carolina Pacheco da Silva, às 11h e às 13h30

Dia 14 (terça-feira):.
ENGENHO NOVO – Creche Municipal Nosso Cantinho, às 8h30 e às 9h
COMPLEXO DO ALEMÃO – EDI Prof Valéria Pereira de Souza Pinto, às 11h e às 13h30

Dia 15 (quarta-feira):.
COMPLEXO DA MARÉ – EDI Maria Amélia Castro e Silva Belfort, às 9h e às 13h
COMPLEXO DA MARÉ – EDI Azoilda Trindade, às 10h30 e às 14h

Dia 17 (sexta-feira):.
MANGUINHOS – Creche Municipal Manguinhos, às 8h30 e às 9h15
SÃO CARLOS – Creche Municipal Estácio de Sá, às 14h e às 14h30

Por Monica Ramalho
Foto de Cícero Rodrigues

jun
06

cris delannoCris Delanno é cantora, compositora e vocalista do BossaCucaNova, célebre grupo que mistura bossa nova e música eletrônica. Em 1999, Cris lançou o disco ao vivo “Nara, uma senhora opinião”, com arranjos de Roberto Menescal e Antonio Adolfo feitos sob medida para a sua potência vocal encontrar-se com o repertório de Nara Leão, que ela vai homenagear no Troféu Beco das Garrafas. O show será no sábado, 11 de junho, às 21h, com ingressos a R$ 40.

“Pelo tipo de voz, não sou uma opção óbvia para cantar a Nara, mas sou tão encantada por ela, por ter escolhido repertório como ninguém e estar na capa do LP da Tropicália. Por ter descoberto e revelado tantos compositores. Claro que vamos cantar bossa nova, mas queremos mostrar outros lados dessa cantora tão especial”, adianta Cris. “O barquinho” e “Você” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) estão confirmadas. “A banda”, “Com açúcar, com afeto” e “Quem te viu, quem te vê” (Chico Buarque) também, lembrando que foi Nara quem gravou Chico pela primeira vez. Dos tempos em que flertava com o samba do morro e atuou no musical “Opinião”, Cris pescou “Diz que fui por aí” (Zé Kéti) e “Carcará” (João do Vale e José Cândido). “Como é grande o meu amor por você” (Roberto Carlos) e “Traduzir-se” (Fagner e Ferreira Gullar) são outras do roteiro do show no Beco, que terá surpresas.

Ao todo, 20 artistas que escreveram a história da bossa nova serão homenageados até dezembro com essa série de shows em Copacabana, batizada Troféu Beco das Garrafas e patrocinada pela Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura. Os homenageados – ou seus representantes convidados, já que alguns não estão mais conosco – serão chamados ao palco para cantar e receber o troféu que nomeia o projeto (e leva a assinatura do designer ilustrador Marcus Wagner), como reconhecimento pela obra que nos legaram. Em seguida, uma banda fará um set instrumental com o repertório do homenageado, transformando a noite numa grande jam session, na qual canjas serão bem vindas.

Alguns nomes muito bacanas vêm aí: Miúcha cantará as maravilhas do amigo Vinicius de Moraes, ao lado de Georgiana de Moraes, filha do Poetinha; os sucessos de Elis Regina serão interpretados por Laila Garin, que lhe deu vida recentemente no teatro; Áurea Martins vai interpretar Johnny Alf, o precursor da bossa nova; e Nina Becker cantará o repertório de Dolores Duran que ela gravou no primoroso álbum “Minha Dolores”, em 2014.

“O Troféu Beco das Garrafas é uma adaptação do projeto que o meu pai concebeu em 2002, chamado Troféu Bossa Nova. Escrevemos juntos e não conseguimos realizar antes de sua partida, em 2007. Uma forma de homenageá-lo será fazer uma noite dedicada a ele, quando entregaremos o Troféu Durval Ferreira para a garotada que está despontando na cena carioca e têm se apresentado com regularidade nas duas casas que revitalizamos em 2014, a Little Club e o Bottle’s Bar”, diz Amanda. “O Beco continua sendo berço de música de vanguarda desde os anos 50!”, exulta ela, que recebe, ainda, o apoio do Instituto João Donato.

Cris Delanno homenageia Nara Leão no Troféu Beco das Garrafas

QUANDO: 11 de junho, sábado, às 21h. A casa abre às 20h

ONDE: Beco das Garrafas – Rua Duvivier, 37, em Copacabana

QUANTO: R$ 40 (inteira), com meia entrada (R$ 20) para estudantes e maiores de 65 anos

maio
30

A Menina VirouNo domingo, dia 5 de junho, às 19h, a Arena Carioca Abelardo Barbosa – Chacrinha, em Pedra de Guaratiba, vai exibir os seus dotes de picadeiro com a apresentação de “A Menina Virou”, uma recriação do texto clássico de circo-teatro desenvolvida pelo Circo Saltimbanco na Residência de Montagem de Espetáculo, coordenado pela Up Leon. A companhia é um dos quatro Polos Cariocas de Circo, iniciativa da Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura a fim de fomentar a arte circense na cidade.

“A oportunidade de trabalhar com uma companhia jovem de família tradicional circense está sendo uma experiência enriquecedora para a nossa equipe. O desafio em remontar um texto clássico nos ajudou a perceber o quanto o tradicional e o moderno se misturam o tempo todo. Isso sem falar na importância de trazer para os dias de hoje espetáculos que fizeram parte da nossa história”, comenta Olga Dalsenter, diretora da Up Leon.

O espetáculo “A Menina Virou” narra a história de uma uma jovem que vive um romance escondido do pai, dono de um circo que decide fechar as portas e se mudar para a roça. Ela faz um pacto com El Bichon, uma figura diabolicamente infantil e divertida, que remete aos desenhos animados que assistimos na TV desde os anos 70, para contornar o gênio paterno e a crise familiar.

“A ideia era brincar com estereótipos mesmo. A mocinha é bem mocinha, tem anjo, capeta e, claro, aquela lição de moral para fazer a criançada pensar. O texto é anônimo e vem passando de geração em geração. A Ângela Cerícola, do Saltimbanco, me contou tudo o que lembrava e escrevemos e adaptamos, sem perder a essência da trama”, diz o diretor artístico convidado e profissional de circo Gabriel Jacques, parceiro da Up Leon desde 2008.

Ao longo de 1h20, há muita comédia pastelão e sete números, como malabares, tranca e rola-rola, que inserem um mini espetáculo de circo dentro da peça. O elenco é formado por sete artistas da Saltimbanco e a trilha sonora leva a assinatura do experiente produtor e compositor Tibor Fittel, responsável pelas trilhas de peças como “O Duende Rumpelstiltskin”, “Pinochio” e “João e Maria”.

“A Menina Virou” na Arena Chacrinha, serviço

QUANDO: 5 de maio, domingo, às 19h

ONDE: Arena Carioca Abelardo Barbosa – Chacrinha (Rua Soldado Elizeu Hipólito, S/N, em Guaratiba. Informações: (21) 3404.7980).

QUANTO: Grátis

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Para comemorar a primeira década de muita música, o Grupo Água Viva lança “O louco”. Este segundo disco independente da trupe carioca foi gravado entre 2011 e 2014 e revela a maturidade dos músicos em unir instrumentais e canções num mesmo universo sonoro, uma forte marca do conjunto desde a sua gênese. A ternura e a leveza de “Vigília” e “Leve”, que são cantadas, se misturam e complementam a densidade e o vigor de temas como “Dr. Cornelius” e “Trem Bala”. Esta coleção sonora de nova faixas convida o ouvinte a mergulhar numa inesgotável e surpreendente fonte de sensações. O show de lançamento será na sexta-feira, dia 27 de maio, às 20h, no Teatro Ipanema, com ingressos a R$ 30.

Grupo Água Viva

[Foto de Erick Dau]

“Carta do tarot, ‘O Louco’ é um jovem que anda tocando flauta, distraído com uma borboleta. Carrega uma trouxa, o que sugere a figura de um nômade. À sua frente, está um abismo. O Louco anda em sua direção, mas não o vê. Um cachorro lhe morde a perna, tentando, sem sucesso, avisá-lo”, explicam os músicos, por e-mail. “Neste disco somos todos “O Louco”: a nossa música é nômade, a nossa realidade é feita de abismo e os nossos sonhos são borboletas e flautas. E, por mais que o cachorro da realidade nos alerte, seguimos movidos pelo risco e pela paixão”.

A sonoridade contemporânea do Água Viva tem base fincada na música brasileira, explorando gêneros como baião, maracatu, frevo e samba, com influências da música latino-americana, do jazz e da música de concerto. A maioria de seus integrantes é multi-instrumentista, o que proporciona a criação de texturas  sonoras e variado colorido de timbres. Formado por Aline Gonçalves (flautas e clarineta), Felipe Cotta (percussão e bateria), João Bittencourt (piano, teclado e acordeon), Luciano Câmara (violão e guitarra), Marcela Velon (voz), Mayo Pamplona (contrabaixo) e Yuri Villar (flautas, saxofones e teclado), o Grupo concentra as energias num trabalho de cunho autoral.

O septeto já se apresentou em festivais nacionais e internacionais e conquistou prêmios como Melhor Execução Instrumental no IV Festival das Rádios MEC e Nacional (2012) e Melhor Grupo no XIX Festival Tápias de Artes Integradas (2007). O álbum de estreia, “Mundo ao Revés” (Bolacha, 2011), reservou dois trunfos para o público que acompanha os músicos nestes dez anos de estrada: a participação da cantora Bibi Ferreira e do músico Itiberê Zwarg, integrante chave da banda de Hermeto Pascoal e líder da Orquestra Itiberê.

Que os sons do Água Viva nos dêem asas!

Grupo Água Viva lança “O Louco”

QUANDO: 27 de maio, sexta-feira, às 20h

ONDE: Teatro Ipanema – Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema. Informações:. (21) 2523.9794.

QUANTO: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)

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ellen olériaO novo ciclo de Ellen Oléria já começou – tem a ver com a mudança para São Paulo, prestes a completar um ano e, principalmente, com a chegada do aguardado “Afrofuturista” (independente). Aos poucos, a metrópole vai cabendo na palma da sua mão e escancarando as suas trilhas urbanas e sonoras. Das 20 músicas gravadas, 13 foram escolhidas para o álbum, terceiro solo que, contando com os discos das bandas Soatá e Pret.utu, vira o quinto da carreira desta artista de 33 anos que canta, compõe, toca violão e guitarra e ainda é atriz formada pela Universidade de Brasília (UnB).

O público baiano terá quatro noites para conhecer o novo show de Ellen Oléria: entre os dias 26 e 29 de maio (de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h), ela cantará na CAIXA Cultural Salvador, com ingressos a populares R$ 8. No dia 25 de maio, Ellen e Poliana Martins estarão à frente da oficina de rimas e poemas “Vou aprender a ler pra ensinar meus camaradas”, gratuita, com número limitado de vagas, a fim de desenvolver o tema do espetáculo em conexão com expressões da oralidade, como o hip hop e os cancioneiros populares brasileiros. A realização é da produtora Janela do Mundo, em parceria com a Carne Dura Produções, com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.

Quando Ellen fala sobre o álbum, são nomes de músicxs, produtorxs, arranjadorxs e compositorxs que aparecem primeiro. Vaidade ela só tem ao escolher o figurino sempre exuberante e o que vai no prato. Vegetariana, assim como a produtora Poliana Martins (sua esposa e autora dos versos da faixa “Eu posso ser mais”), Ellen vem entrando em forma desde que venceu a primeira edição do The Voice Brasil, em 2012. Além do cuidado com a alimentação, ela agora faz exercícios regulares e até investe numas corridas pelo Ibirapuera ou pelo Minhocão. Um dos seus talentos é a simpatia genuína. Bobeou e lá está Ellen trocando uma ideia com um alguém que a reconhece. Antes mesmo de dizer o nome do disco, Ellen dá o crédito às amizades que ajudaram a trazer esse “Afrofuturista” para o presente. E que presente!

A estética da nova bolacha tem muito a ver com a leveza da produção de Felipe Viegas e o toque certeiro de alabê do baiano Gabi Guedes, percussionista da Orkestra Rumpilezz; nasceu junto com os versos afiados de Roberta Estrela D’Alva e o vozeirão da cubana Yusa; traz a sonoridade das alfaias de Seu Estrelo e o Fuá de Terreiro e a plasticidade dos arranjos de Pedro Martins. O disco foi todo gravado em Brasília, onde a cantora viveu até outro dia e que aplaude a sua música desde o bê-a-bá. “A nave”, por exemplo, fala de uma cidade em movimento e remete ao avião que dá forma ao Plano Piloto, com as suas asas Norte e Sul. Ellen está fixando o microfone no concreto paulistano, mas sabe que, a qualquer momento, pode voltar. “Quero viajar mais uma vez pilotando a nave”, avisa o refrão.

“A gente tá falando de rotas e raízes, identidade, pertencimento. Por isso, o nome do disco não é qualquer futurismo, é um afrofuturismo. Não bélico, soror e solidário, mas baseado no conceito mais revolucionário que conheci na vida: o amor”, diz. Esperançosa, cita um texto de Mateus Aleluia, cantor integrante do legendário grupo Os Tincoãs e pesquisador incansável, para explicar o que narra em ritmo de samba, afoxé, maracatu, carimbo e um forró caribenho: “Nós somos a descendência e nós somos também a ancestralidade. Somos a herança e também a promessa. É a verdadeira volta, uma espiral-ouróboros, porque é como se fosse a cobra mordendo a própria cauda. Quando fala no ancestral, a gente fala também em quem há de vir. Aquilo que é e que já foi. Essa é a nossa forma ancestral de existir”.

Antigamente, as músicas ganhavam fama e caíam nas graças do público que batia ponto nos saraus para, só então, serem gravadas. “Afrofuturista” tem mais esse trunfo. Ellen vem testando (“Alô, alô, som!”) essa coleção há algum tempo e selecionou para a bolacha exatamente o que queria, o que provou e sabe que funciona ao vivo, o que está com muita vontade de espalhar pelo planeta. “É muito gostoso ver nos shows que o povo já decorou esse repertório. Agora temos o disco e chegou a hora de mais gente, muito mais gente (risos), conhecer o trabalho”, fala, com brilho nos olhos e o timbre macio que o Brasil já conhece tão bem.

 

A CAIXA Cultural Salvador fica na Rua Carlos Gomes, 57, no Centro.

Monica Ramalho

Monica Ramalho

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